quinta-feira, 29 de maio de 2008

My Blueberry Nights


Pessoas....

Fui ao cinema, há umas semanas atrás, assistir ao filme “My Blueberry Nights”, que por aqui ganhou o título “Um beijo roubado”. Para muitos, pode ser apenas mais um, mas é só aceitar o convite da Martha Medeiros (artigo publicado na Revista O Globo de domingo – 25/05/08) de assisti-lo com um olhar poético para percebermos que o que está na nossa frente nada mais é que a nossa vida. Fica a sensação de que pode acontecer com a gente a qualquer momento. A fotografia é simples, não vai além do que está a nossa volta. Os efeitos especiais hollywoodianos passam longe. Este é o primeiro filme em inglês do cineasta chinês Wong Kar-wai (Amor à Flor da Pele) e apesar de ter sido rodado nos Estados Unidos, nada lembra o glamour do país. Os ambientes escuros e fechados destacam ainda mais a solidão e nos aproxima ainda mais dos personagens.

Desilusões amorosas acontecem diariamente e não há lugar melhor para chorar as mágoas do que numa mesa de bar. Os homens tomam um chopp e as mulheres desabafam com as amigas. Neste ambiente pode-se observar os contrastes entre a tristeza pela perda de um amor e a confraternização dos amigos. Uns choram e outros riem. Assim acontece com Elizabeth (Norah Jones) após perder o seu namorado. Jeremy (Jude Law), dono de um bar, conhece os clientes pelo que consomem e guarda as chaves deixadas por eles. A sua, inclusive, está no pote. Elizabeth saboreia pedaços da torta de mirtilo (blueberry), divide a sua dor com ele, dorme no balcão e também deixa as chaves antes de ir percorrer o país.

As chaves vão ficando caídas, esquecidas em algum canto. Algumas abrem o coração, a casa, a vida a dois. Outras fecham as mesmas portas e procuram outras para abrir. Aos poucos as coisas vão deixando de pertencer ao presente e passam a fazer parte do passado. Há uma vida pela frente, uma nova, a ser explorada, descoberta. No inesperado pode surgir o inexplicável. No lugar mais improvável pode surgir a pessoa que irá te acompanhar por toda uma vida. Nessas andanças Elizabeth acaba conhecendo pessoas vazias, com problemas semelhantes como o policial (David Strathairn) apaixonado pela sua ex-mulher (Rachel Weisz) e uma impulsiva Leslie (Natalie Portman). Quantas pessoas assim não cruzam o nosso caminho?

O filme tem vários pontos interessantes a serem questionados. Quem nunca chorou por amor? Faz parte das relações humanas! O homem não tem a capacidade de controlar os seus sentimentos, pois a paixão pode surgir numa simples troca de olhar. Mas acredito que podemos controlar o pensamento. Iludir-se é uma opção! Segundo uma frase da música “Uma criança com o seu olhar” (Charlie Brown Jr), nossas escolhas vão dizer pra onde iremos. A minha escolha é a felicidade. Entre a tristeza e a alegria, com certeza fico com a segunda alternativa. Não me permito sofrer por mais de dois dias. A vida é curta demais para dar valor a dor. Se tomei uma decisão, ela foi pensada e repensada. Não foi no impulso, então não tenho o que lamentar. Foi uma escolha que eu fiz. Eu mando nos meus pensamentos! Se tem momentos que eu me deixo envolver? Com certeza, mas eu sei até onde ir. Compreendo que há situações que estamos mais suscetíveis a isso, mais propícios a nos deixar envolver. Às vezes até por carência. Sou contra traição, até porque ninguém é obrigado a ficar com ninguém e se você sente desejo, vontade por outra pessoa quer dizer que a que está ao seu lado não satisfaz mais. È melhor manter uma amizade a mentir e ganhar a indiferença.

A meu ver, às vezes sumir, mudar de ares vale muito. Conhecer pessoas novas, trocar experiências serve para se reciclar e favorecer o autoconhecimento. Segundo o artigo da Martha Medeiros, quanto mais nos relacionamos com os outros, mais conhecemos a nós mesmos, e é uma boa surpresa descobrir que, afinal, gostamos de quem a gente é, e quando isso acontece fica mais fácil voltar ao nosso local de origem, onde tudo começou. O tempo é um aliado nessas situações. Ele tem a capacidade de curar as feridas, acalmar as situações e acalentar os corações. Tem uma passagem de Jeremy que ele fala que quando pequeno sua mãe ensinou que, ao se perder, o melhor não era ficar ziguezagueando, mas sim manter-se no mesmo lugar porque era mais fácil de ser achado. A meu ver, ficar estático esperando alguém te encontrar ou a felicidade bater a sua porta não está com nada. Acredito no destino. Se tivermos que ficar com essa pessoa, não importa o lugar, a situação porque vamos reencontrá-la e a felicidade é um estado de espírito. Se ficar estático, a vida não anda e as energias acabam não sendo renovadas.

Vou encerrar com as palavras que a Martha Medeiros iniciou o seu artigo: É sobre o quê, esse filme? Sobre absolutamente nada, a não ser a vida, essa que passa pela nossa janela sem roteiro, sem diálogos geniais, simplesmente a vida que nos convida: vai ou fica?

segunda-feira, 19 de maio de 2008

Fazer uma faxina!!!

Pessoas...

Resolvi fazer uma faxina na minha vida. Varri as mágoas para debaixo do tapete; as tristezas joguei no lixo; tirei o pó que cobria a alegria e deixei o amor entrar com o amanhecer. Os amigos estão no lugar onde exponho as coisas que considero essenciais. Minha família está no mesmo lugar. Estão presentes em quadros, porta-retratos, cartas. As pessoas que valem a pena ser lembradas estão lá, cada uma com uma legenda. Não as quero esquecer jamais! As que já partiram ou se tornaram estrelas ou se tornaram anjos. As estrelinhas iluminam os meus caminhos, clareiam as minhas idéias; os anjinhos me protegem nesse mundo louco e me guiam para um lugar seguro. São parentes e amigos, mas não é porque estão no céu que deixaram de ser indispensáveis à minha vida.

Resolvi reorganizar, no coração, meus sentimentos. A Amizade ocupou quase duas gavetas: Amigos fiéis e leais, daqueles que a gente pode se despir sem receio; os de night, que se tornam companhias indispensáveis para rir, falar besteira, dançar, zuar; os momentâneos, que foram importantes em determinado momento, mas que o contato não se faz mais presente e os que estão longe, mas que não deixam de ser menos amigos por isso. A Alegria, sempre metida, ocupou umas três gavetas. Quis monopolizar o Coração! Foram tantos os momentos felizes que era injusto deixarem-nos espremidos. O Amor foi o que ocupou mais espaço. São tantos tipos de amores... A família ficou com um monte de gavetas. Pais, irmãs, avós, dindos, dindas, primos, primas, tios, tias,.... Os amigos-irmãos ocuparam uma gavetinha. São penetras que saíram da Amizade e “invadiram” a do Amor. Os amores de homem e mulher ocuparam outras. Papai do Céu sempre foi muito legal comigo e não tenho o que reclamar dos meus ex-namorados. Falo com muitos deles. Cada um foi importante de alguma forma. Todos foram amados e me amaram do seu jeito. Esses eu guardo com muito amor, afinal ajudaram no meu amadurecimento. O legal é que apesar das discussões, aborrecimentos, não me fizeram desistir de amar. Não foram desilusões! A última gavetinha está a Saudade. Essa ai é tão atrevida que chega a doer o peito. Vive passeando e pulando de uma gaveta para a outra, afinal amigos, parentes e amores deixam saudades. Quem ocupa a maior parte da gaveta são os momentos maravilhosos que não voltam mais. Nights inesquecíveis, aquela bronca surreal na escola, a primeira vez que comprei meu lanche na escola, o meu primeiro beijo, o meu primeiro zero numa prova, as vezes que quebrei algum membro do meu corpo por estar fazendo arte, as brincadeiras na rua, os namoricos na porta de casa e da escola, o primeiro lugar na competição da natação, os torneios de patins em São Lourenço e as Olimpíadas do colégio; fora as bagunças em casa como festas, churrasco associado a um banho de piscina e as brincadeiras de criança. Esses momentos, por mais que eu queira, não voltam. E , às vezes, dão aquela espetadinha no coração. Só vou poder rever parte disso quando os meus filhos nascerem.

Agora que o pó está tirado, a sujeira varrida, as dores esquecidas, as mágoas escondidas e as
gavetas arrumadas posso ir dormir tranqüila.

quarta-feira, 14 de maio de 2008

Para uma irmã...

Minha amiga-irmã me escreveu esse texto e eu nem tive como não postá-lo. A saudade que eu sinto e a falta que ela me faz são insuportáveis. Chega a doer. Estava acostumada com uma pessoa ao meu lado diariamente, uma pessoa que eu não sentia medo de ser quem eu sou. As mudanças, infatilidades, inseguranças, medos, dúvidas, amores, enfim, podia me despir que ela aceitava a minha amizade, meus defeitos.

Amizade é o amor. Um amor de irmão, puro, verdadeiro. Para um amigo não existe limite, sacrifícios. O esforço é compensado com um sorriso e as "furadas" se tornam gargalhadas. Quem nunca fez um programa de índio por simplesmente acompanhar aquele que você chama de irmão?

Essa minha amiga-irmã já aturou muita coisa. Já passamos váááários momentos cômicos como alface no dente em plena faculdade, uma senhora pagar as nossas passagens de ônibus porque o trocador não tinha troco para nos dar, várias partidas de buraco à tarde e forró à noite, bebedeiras, tombos, gatinhos, comprar um empadão inteiro e comê-lo sem se preocupar se isso vai lhe render uns 10 quilos a mais. Mas já choramos muito juntas também. Decepções amorosas, dúvidas, desentendimentos e falecimentos...

Segue abaixo o texto na íntegra - Mariana Domingues ou simplesmente Mari



"Cada dia que passa, cada foto postada no orkut dos meus amigos sinto como se cada pedaço da minha vida fizesse mais sentido. Como é bom saber que conhecemos pessoas que de alguma forma farão parte da nossa vida pra sempre. Como é bom saber que nunca estará sozinha....sempre terá um pra te perturbar, derramar café na tua calça, perguntar se tem alface no dente, fazer gestos obscenos com o bicho de pelúcia que acabou de ganhar da sua melhor amiga. Como é bom saber que de alguma forma somos parte de suas vidas.
A saudades que sinto não cabe mais em mim.
Em pouco tempo de convivência a intimidade criada é algo que não tem preço, não tem explicação. Apenas tem que ser. Apenas temos que ter certeza que em algum momento isso iria acontecer, não importando o que façamos pelo contrário. É a típica lei de Murphy, mas neste caso ela é muito bem-vinda.
Sempre falo que ela me escreve um livro de memórias enquanto eu só faço uso de suas palavras, mas hoje me valerei de seu emprenho em escrever....porque tudo isso diz respeito a um pedaço da minha existência. Uma fração muito importante da minha vida e que tenho a honra de dividir com essas pessoas. Uma família que me escolheu entre tantos outros amigos, que me adotou – quase literalmente – e até broncas levei de minha “mãe” por chegar às 7 da manhã em casa. Esse tipo de amor não se conquista, apenas se aceita. É um amor puro, fraternal, que força nenhuma no mundo pode destruir. Nem a morte.
Agradeço a essa minha família sempre que posso por tudo o que fizeram por mim. Não pararei de agradecer nunca.
Vivo eternamente dividida entre a vontade de voltar e o dever de ficar. Quem sabe quando o dever terminar eu consiga realizar minha vontade.
Saudades sempre!
Beijo!!!"

sexta-feira, 2 de maio de 2008

Preconceito

Pessoas....

Depois de alguns dias sem escrever, resolvi tratar de um assunto que ainda gera muito preconceito: a homossexualidade. Confesso que a primeira vez que vi dois homens se beijando achei estranho, mas depois você acaba aceitando. Lembro-me de estar na casa de duas amigas comemorando o aniversário de um amigo delas quando depois dos parabéns veio o beijo do casal. Aquela imagem chocou. Imagina há dez anos atrás uma criança de uns 13, 14 anos que sempre estudara em colégios católicos presenciar um fato desses. Em casa virou assunto de discussão! Só aprendi que devemos torcer sempre pela felicidade do outro, independente da sua sexualidade.

Não faço a mínima idéia de quando a homossexualidade surgiu, mas estudei em Filosofia que Sócrates se deleitava com seus discípulos. No mundo moderno criaram as categorias de “homossexualidade” e “heterossexualidade”. A partir daí as pessoas passaram a ser classificadas conforme a sua opção sexual. Acredito que atualmente as pessoas defendem a sexualidade. Não importa se me interesso por homens, mulheres ou pelos dois. O que vale são os desejos e vontades. A classificação de homo e hetero aos poucos estão deixando de existir na sociedade contemporânea ou pós-moderna. Quantas vezes lemos no jornal que fulano declarou que é bissexual? Que uma atriz famosa terminou um relacionamento longo com uma mulher e atualmente está namorando um homem? Que outra celebridade homossexual assumiu que quer relações com um homem agora? São opções de cada um e precisamos respeitar sempre!

Atualmente, para muitos, o sexo ainda é tratado como tabu. Existem pessoas que não falam sobre esse assunto em casa, com amigas (os) e nem mesmo com o (a) parceiro (a). Uma relação precisa ser baseada na confiança, na verdade e é importante o outro saber do que você gosta. Ninguém tem bola de cristal para adivinhar. É preciso conversar para rolar uma coisa legal. Essa relação precisa existir independente da sua opção sexual. E as mulheres vêm cada vez mais assustando os homens com relação a isso. Elas estão expondo mais suas opiniões e preferências. Estão cada vez mais buscando o seu espaço, seja na sociedade ou num relacionamento. O mundo se desenvolveu numa sociedade machista e é aceitável o homem achar estranho uma mulher ter uma opinião formada sobre o sexo e conversar sobre o assunto sem bloqueios.

Há alguns meses comecei a freqüentar boate GLS devido à música eletrônica. Esse público gosta de eletro e, particularmente, não gosto de boates que no meio da noite começam a tocar funk e axé. Nas boates GLS o maior público é gay, mas não quer dizer que não tenha heteros. Quem nunca foi e pretender ir algum dia, o meu conselho é de se desprender de qualquer preconceito, deixar a descriminação em casa e curtir a noite. Claro que você vai se sentir estranho nos trinta primeiros minutos, se sentindo um peixe fora d’água, mas depois ou você relaxa ou vai embora. Ali é mais provável que você receba uma cantada de alguém do mesmo sexo que o seu do que do oposto. Mas a tranqüilidade e a diversão predominam. Sou capaz de curtir uma noite sozinha sem preocupação.

Esses dias uma amiga viu minhas fotos e me confidenciou que estava tendo envolvimento com outra mulher. Achou que eu fosse brigar e ficar chateada, mas a minha postura fez com que ela ganhasse alguém com quem compartilhar os seus sentimentos e receios. Ela não encontra esse apóio na família. Por mais que queira contar, não aceitariam nunca. Os pais não entendem que deveriam estar ao lado de seus filhos sempre, que a felicidade é que importa. Os outros não têm nada a ver com isso. Não têm de ficar dando palpite.

O conselho que dou sempre é que antes que queiram assumir a sua homossexualidade tenha relação com no mínimo uns três do sexo oposto para ter certeza do que quer. E nunca tome uma atitude como regra. Hoje o seu envolvimento pode ser com uma pessoa do mesmo sexo e amanhã não. Saibamos viver as diferenças!!!