terça-feira, 2 de novembro de 2010

Achei esse texto lindo e bastante reflexivo! Quem não precisa ir ao manicômio?



"No pátio de um manicômio encontrei um jovem com rosto pálido, bonito e transtornado. Sentei-me junto a ele sobre a banqueta e lhe perguntei:
- Por que você está aqui?
Olhou-me com olhar atônito e me disse:
- É uma pergunta pouco oportuna a tua, mas vou respondê-la. Meu pai queria fazer de mim um retrato dele mesmo, e assim também meu tio. Minha mãe via em mim a imagem de seu ilustre genitor. Minha irmã me apontava o marido, marinheiro, como o modelo perfeito para ser seguido. Meu irmão pensava que eu devia ser idêntico a ele: um vitorioso atleta. E mesmo meus mestres, o doutor em filosofia, o maestro de música e o orador, eram bem convictos: cada um queria que eu fosse o reflexo de seu vulto em um espelho. Por isso vim para cá. Acho o ambiente mais sadio. Aqui pelo menos posso ser eu mesmo."

(Kahlil Gibran. Para além das palavras)

terça-feira, 16 de dezembro de 2008

Auto-Reflexão

Pessoas

Eu sou uma pessoa que erro tentando fazer o certo. Como dizem as minhas amigas, moro num mundo cor-de-rosa onde as pessoas são boas como eu e a maldade não tem vez.


É errado ser impulsiva? É errado correr atrás e lutar pelo que deseja? Para muitos é loucura, mas a meu ver isso é ter atitude, é ter independência para se fazer o que quiser. Poucas pessoas têm coragem de agir dessa forma.

Se for errado não querer se magoar e tomar certas decisões para isso, eu quero continuar errando. O que os outros pensam ao meu respeito pouco me importa, trabalho para pagar as minhas contas. Independência custa caro! Quero fazer as coisas que acalmem o meu coração. Um amigo meu disse uma vez que devemos arriscar sempre, porque se não fizermos isso iremos perder 100% da chance que teoricamente possuímos. Arriscar é para poucos. Os fracos ficam pelo caminho. Só arrisca quem conhece os seus limites e quem possui força de se reerguer caso as expectativas não sejam as esperadas.

Uma amiga minha, que é super forte, me disse uma vez que não tem a minha coragem. As pessoas acham que eu sou frágil e por isso têm medo de me magoarem, de me falarem as coisas e, eu, quebrar. Cada um tem um jeito e o meu é ser carinhosa, atenciosa, boa, amiga, extrovertida e... ingênua. É... eu ainda acredito nas pessoas. Isso é defeito?

A minha coragem é relativa, porque eu não dou chance às pessoas. Eu simplesmente sumo para não sofrer e não ter de ouvir explicações. Dissipo-me no vento sem deixar vestígios. A minha presença se torna, então, lembrança... às vezes doces... outras amargas. Se eu permaneço é porque eu gosto, porque me cativaram. Essa situação está totalmente entrelaçada com a minha paciência, que ora é enorme e ora é curta como um pavio prestes a explodir.

Confesso que muitas vezes eu gostaria de ser egoísta e só pensar em mim; gostaria de ser individualista e só fazer o que me interessa; gostaria de ignorar os meus amigos quando estes enchem a minha paciência; gostaria de agir como metade do mundo, mas não consigo. Eu, felizmente ou não, penso sempre nos outros. Estou sempre à disposição para ajudar e, cada vez mais, o sentimento que recebo em troca é a decepção.

Às vezes o meu mundo cor-de-rosa desmorona igual a um castelo de areia quando a onda bate. Meu mundo fica preto e é quando ele fica assim que eu tiro forças para levantar.

Eu sou uma pessoa que odeia dúvidas. Sou muito decidida, focada e não aturo indecisões. Gosto de respostas. Penso que todo mundo sabe o que quer, afinal temos de fazer escolhas todos os dias. Quem fica “em cima” do muro é ou porque está perdido ou porque não quer assumir os seus desejos (talvez por medo). Eu assumo os meus! Não ligo para os riscos que vou correr!

Já me criticaram por ser uma pessoa acessível e me fechei, mas a questão não é de eu ser aberta, é de ser franca e não magoar ninguém. Franqueza é errado? Estou começando a achar que as minhas qualidades são defeitos nesse mundo distorcido.

Sempre falo que não vou para o céu por curtir com as pessoas, fazerem-nas rirem, mas estou começando a achar que eu vou para céu porque tenho princípios e caráter. Isso, me desculpe, é qualidade! As pessoas mentem numa velocidade absurda; falam como se fosse a mais pura verdade; traem a confiança de pessoas queridas em troca de caprichos; falam sem pensar e não querem saber se as palavras vão ferir ou não. Eu aprendi a respeitar o outro e a não fazer com ele o que não quero que façam comigo.

Tenho por hábito dizer que sou uma pessoa fácil de conviver. Odeio fofocas, intrigas, mesquinharia. Valorizo sentimentos positivos como amizade, amor, alegria. Não perco meu tempo discutindo! O meu mundo cor-de-rosa pode estar negro que eu estarei sorrindo. As pessoas têm problemas demais para aturarem o meu mau humor. Não dou importância para coisas pequenas, besteiras de criança. Dificilmente alguém me vê triste, cabisbaixa e chorando de tristeza. Isso eu deixo para compartilhar com meu travesseiro. Boas energias atraem coisas positivas.

Bom... essa é uma parte de mim... porque sou muito maior que isso!

sexta-feira, 7 de novembro de 2008

A derrota de Paes

Pessoas,

Recebi esse texto por e-mail. Ele está assinado pela Cora Ronai, mas internet não é uma fonte muito confiável. Quem não a conhece, ela é jornalista, colunista do jornal O Globo e editora de tecnologia.



"A derrota de Paes


Abrindo mão das próprias convicções (se é que um dia as teve), aliando-se ao que há de mais podre no estado, gastando rios de dinheiro, jogando sujo, usando descaradamente a máquina estadual, federal e universal, beneficiando-se até de um feriado mal intencionado, enfim, com tudo isso, Eduardo Paes só conseguiu ganhar de Gabeira por 50 mil míseros votos.

Como vitória política, já é um resultado extremamente questionável; mas do ponto de vista pessoal, é uma derrota acachapante.

Eduardo Paes levou a prefeitura, sim, mas de contrapeso ficou com uma quadrilha de aliados que não deixa nada a dever àquela que ele acusava o presidente Lula de comandar.

Vai ser prefeito, sim, mas vai ter de arranjar boquinhas para o Crivella, para o Lupi, para o Piciani, para a Clarissa Garotinho, para o Roberto Jefferson, para a Carminha Jerominho, para o Babu, para o Dornelles, para a Jandira... estou esquecendo alguém?

Conquistou um cargo, é verdade, mas conquistou também o desprezo mais profundo de metade do eleitorado.

Em compensação, como carioca, perdeu a chance de viver um momento histórico, em que a prefeitura seria, afinal, ocupada por um homem de bem, com idéias novas e um novo jeito de fazer política; perdeu a chance de ver o Rio de Janeiro sair do limbo a que foi condenado nas últimas décadas, e ganhar projeção pela singularidade da sua administração.

Se Gabeira tivesse sido eleito prefeito, o Rio, que hoje não significa nada em termos políticos, voltaria a ter relevância, até pelo inusitado da coisa. Um prefeito eleito na base do voluntariado, do entusiasmo dos eleitores e da vontade coletiva de virar a mesa seria alguém em quem o país seria obrigado a prestar atenção.

Agora, lá vamos nós para quatro anos de subserviente nulidade, quatro anos em que o recado das urnas será interpretado, pela corja que domina esta infeliz cidade, como um retumbante "Liberou geral!" "


Vou finalizar com a frase que Aguinaldo Silva (autor de novelas das 20h da Globo) postou em seu blog:

"Quem de vocês, seus irresponsáveis, deixou de votar só pra ir tomar banho de cocô na praia, e assim não ajudou a eleger o Gabeira?"

terça-feira, 21 de outubro de 2008

Gabeira

Pessoas...

Tomei a liberdade de postar um artigo da Martha Medeiros publicado na Revista O Globo de domingo passado (19/10/2008). Quem sou eu para fazer campanha eleitoral para alguém, mas achei interessante e curioso o que ela escreveu sobre ele. Segue abaixo o artigo na íntegra

Se Gabeira ganhar

"Sempre fomos amigos, ele é uma pessoa capaz e não pretendo vencer a qualquer preço". O autor dessa frase é Fernando Gabeira, avisando que não engrossaria o tom da campanha para enfrentar Eduardo Paes no segundo turno pela prefeitura do Rio.

Infelizmente, algumas mulheres e homens íntegros costumam dar férias para sua integridade durante campanhas eleitorais. Nessa hora, todo mundo vira leão e quer devorar o outro. Imagine um candidato admitir, antes do resultado final, que o adversário é um homem capaz. Por essas e outras é que a grande novidade dessa eleição foi Gabeira ter passado para o segundo turno, a despeito de todos os preconceitos que poderiam barrar a alavancagem de sua candidatura. Isso, por si só, já é uma vitória do Brasil - não só do Rio de Janeiro.

Se Gabeira ganhar, será a prova de que o brasileiro cansou de ficar se lamentando em balcão de bar, repetindo a ladainha de que político é tudo igual.

Se Gabeira ganhar, saberemos que existe uma parcela da população que não tem medo de quem possui uma mentalidade aberta e está apostando em quem tem experiência não só política, mas de vida.

Se Gabeira ganhar, testemunharemos num cargo público um homem que conversa com o eleitor de igual pra igual, dizendo exatamente o que pensa, em vez de apelar para discursos fleumáticos e repetitivos, entulhado de jargões.

Se Gabeira ganhar, vai ser a recompensa merecida por ele ter peitado Severino Cavalcanti, dando nele um cala-boca que todos nós gostaríamos te ter dado na ocasião do mensalinho.

Se Gabeira ganhar, não será apenas o deputado federal que assumirá o cargo, mas também o escritor e jornalista que tantas vezes defendeu as liberdades individuais, os direitos humanos, as formas alternativas de se viver em sociedade e que tem uma consciência ecológica que vem de muito antes disso virar moda.

Muitos candidatos - inclusive Fogaça e Maria do Rosário, que dispiutarão o segundo turno em Porto Alegre, onde voto - já elimimaram a pose de super-heróis e a prosa característica dos "profissionais" da política, aqueles que dizem apenas o que o eleitor quer ouvir, sem compromisso com a viabilidade do que está sendo dito. Mas Fernando Gabeira, pela projeção nacional que tem e pela cidade problemática que pretende governar, é o fato eleitoral de 2008. É interesse de todos nós que a política brasileira experimente, para variar, dar espaço para alguém com um perfil mais ético, corajoso e cosmopolita. Se ele será um bom prefeito, caso eleito? Não sei, ninguém sabe. Mas ter vencido a desconfiança diante da sua biografia incomum já é motivo para comemorarmos. Ao dar crédito para Gabeira, o Brasil ficou um pouco mais moderno".

quarta-feira, 8 de outubro de 2008

Falta de ar

Pessoas

Estou com saudades de escrever aqui. Fiquei ausente durante esse tempo devido ao trabalho. Tenho estado muito tempo fora da empresa e quando chego em casa só penso em tomar um banho e dormir.

Resolvi externar uma situação pela qual passei e que tem me perturbado bastante. Desde pequena eu tenho trauma de morte. Parece estranho, mas só de pensar que um dia meus olhos vão fechar e que nunca mais vão abrir... me falta de ar. Quando eu era bebê, 10 meses para ser exata, minha mãe me deu remédio errado e acabou dilatando minhas vias respiratórias. Conclusão: fui parar no hospital, tomei soro pela cabeça, fiquei internada um tempo e quase morri. Isso tudo numa cidadezinha chamada São Lourenço, que há quase 26 anos atrás era bem interiorana. Acredito que devo ter guardado essa informação no meu subconsciente. A psicologia explica. Fiz terapia um ano para perder esse medo. Melhorei, mas como falei na primeira linha, passei por uma situação nada confortável.

Domingo à noite, garganta doendo, vidrinho de Salompas do seu lado. Pronto! Sonolenta... peguei o remédio e passei na garganta. Se eu queria acabar com a dor, eu consegui, mas em troca minha glote fechou. Primeiro comecei a sentir uma dormência na garganta, depois não conseguia mais engolir e por último a respiração começou a faltar. O desespero e o medo fizeram com que minha pressão baixasse e com que eu começasse a suar frio. A minha sorte é que o inchaço ficou no lado direito e depois que me acalmei, consegui voltar a respirar. Com dificuldade, confesso, mas meu “paidrasto” conseguiu que eu controlasse a minha respiração. Não me pergunte como, estava literalmente em alfa.

Essa situação mexeu muito comigo. Queria ter ido para o hospital, mas domingo de madrugada minha mãe achou que só ia ter residentes na emergência e que com certeza iriam me colocar no respirador. O medo dela era enorme, o meu também. Não sabia o que seria pior. Só pensava que iria morrer.

Hoje, quando deito para dormir me vem todo dia essa sensação. Acho que minha garganta vai fechar, que vou ficar com falta de ar e que não irei acordar no dia seguinte. O pior é que o nosso subconsciente é tão poderoso que consegue fazer com que sintamos todos os sintomas. Quando me acalmo, que penso que é besteira e que é coisa da minha cabeça, relaxo e durmo. Sábado não consegui me controlar. Acreditei cegamente que eu iria ficar sufocada e que ninguém iria me ver com falta de ar e, conseqüentemente, iria morrer. Conclusão: fui dormir no quarto com a minha mãe e meu paidrasto.

Algumas pessoas falam que preciso de terapia. Acredito nisso. Todo mundo precisa. Mas, sei que é coisa da minha cabeça, uma lembrança do passado que voltou à tona. Com o tempo as coisas vão melhorar e eu vou conseguir esquecer esse dia. O que não vale é ficar relembrando, até porque só de pensar já sinto minha garganta fechar.

Estou aceitando indicações de analistas! *rs*

segunda-feira, 25 de agosto de 2008

Superficialidade

Pessoas...

Em algum outro post escrevi que atualmente os sentimentos estão superficiais. Você sai à noite e o que encontra é uma verdadeira selva, como diz um amigo meu. Todos estão à caça. São mulheres atrás de homens e vice-versa. Beijar um homem é saber que a pretensão dele é te levar para a cama. Só isso! Ele usa o seu corpo, você o dele e o que ganham em troca é o prazer. Não crie expectativas e nem espere uma ligação no dia seguinte. Isso não irá acontecer! Fico me questionando em qual momento do passado o romantismo se perdeu.

Preciso confessar que eu ainda me assusto com esse avanço todo. Se os homens estão mais diretos ao ponto de não esperar um segundo encontro para convidar a pessoa para conhecer o apartamento dele é porque as mulheres deram esse espaço. Não se valorizaram. Hoje não existe mais a conquista. Você conhece a pessoa, troca uns beijos e já espera a pergunta: “Para onde vamos depois daqui?”. Cabe a você aceitar ou não.

O respeito não existe mais. Você beija e a pessoa já vem igual a um polvo. São mãos de todos os lados e de onde menos se espera. Muitos homens perdem ótimas mulheres por acharem que todas são iguais. Realmente existem mulheres que não se dão ao respeito, mas os homens igualam todas por baixo. Vou contar um segredinho: É melhor nos igualar por cima, desta forma não sai perdendo e fica mais respeitoso e elegante.

Durante esses meses que estou solteira não conheci o sentimento. Para uma pessoa que sempre namorou é estranho ir a uma micareta e não se chocar com a “pegação” que rola. Infelizmente você acaba se acostumando com a situação, com o fato de beijar uma pessoa que nunca viu e que provavelmente nunca mais irá ver. Qual a graça disso? Saber que você foi mais uma pra ele e ele mais um pra você? Eu não penso assim. Gosto de saber quem estou beijando. Gosto que a pessoa saiba que ela não é mais um dado estatístico na minha vida, que ela tem um significado. É respeito pelo outro. Isso não quer dizer que meus sentimentos por ela não sejam superficiais.

Segue abaixo uma crônica de Arnaldo Jabour que fala exatamente sobre o assunto tratado por mim.



"Estamos com fome de amor

Uma vez Renato Russo disse com uma sabedoria ímpar: "Digam o que disserem, o mal do século é a solidão". Pretensiosamente digo que assino embaixo sem dúvida alguma. Parem pra notar, os sinais estão batendo em nossa cara todos os dias.

Baladas recheadas de garotas lindas, com roupas cada vez mais micros e transparentes, danças e poses em closes ginecológicos, chegam sozinhas. E saem sozinhas. Empresários, advogados, engenheiros que estudaram, trabalharam, alcançaram sucesso profissional e, sozinhos.

Tem mulher contratando homem para dançar com elas em bailes, os novíssimos "personal dance", incrível. E não é só sexo não, se fosse, era resolvido fácil, alguém duvida?

Estamos é com carência de passear de mãos dadas, dar e receber carinho sem necessariamente ter que depois mostrar performances dignas de um atleta olímpico, fazer um jantar pra quem você gosta e depois saber que vão "apenas" dormir abraçados, sabe, essas coisas simples que perdemos nessa marcha de uma evolução cega.

Pode fazer tudo, desde que não interrompa a carreira, a produção. Tornamos-nos máquinas e agora estamos desesperados por não saber como voltar a "sentir", só isso, algo tão simples que a cada dia fica tão distante de nós.

Quem duvida do que estou dizendo, dá uma olhada no site de relacionamentos Orkut, o número que comunidades como: "Quero um amor pra vida toda!", "Eu sou pra casar!" até a desesperançada "Nasci pra ser sozinho!".

Unindo milhares, ou melhor, milhões de solitários em meio a uma multidão de rostos cada vez mais estranhos, plásticos, quase etéreos e inacessíveis.

Vivemos cada vez mais tempo, retardamos o envelhecimento e estamos a cada dia mais belos e mais sozinhos. Sei que estou parecendo o solteirão infeliz, mas pelo contrário, pra chegar a escrever essas bobagens (mais que verdadeiras) é preciso encarar os fantasmas de frente e aceitar essa verdade de cara limpa. Todo mundo quer ter alguém ao seu lado, mas hoje em dia é feio, démodé, brega.

Alô gente! Felicidade, amor, todas essas emoções nos fazem parecer ridículos, abobalhados, e daí? Seja ridículo, não seja frustrado, "pague mico", saia gritando e falando bobagens, você vai descobrir mais cedo ou mais tarde que o tempo pra ser feliz é curto, e cada instante que vai embora não volta.

Mais (estou muito brega!), aquela pessoa que passou hoje por você na rua, talvez nunca mais volte a vê-la, quem sabe ali estivesse a oportunidade de um sorriso a dois.

Quem disse que ser adulto é ser ranzinza? Um ditado tibetano diz que se um problema é grande demais, não pense nele e se ele é pequeno demais, pra quê pensar nele. Dá pra ser um homem de negócios e tomar iogurte com o dedo ou uma advogada de sucesso que adora rir de si mesma por ser estabanada; o que realmente não dá é continuarmos achando que viver é out, que o vento não pode desmanchar o nosso cabelo ou que eu não posso me aventurar a dizer pra alguém: "vamos ter bons e maus momentos e uma hora ou outra, um dos dois ou quem sabe os dois, vão querer pular fora, mas se eu não pedir que fique comigo, tenho certeza de que vou me arrepender pelo resto da vida".

Antes idiota que infeliz!”
Arnaldo Jabor

quarta-feira, 20 de agosto de 2008

Amor Próprio

Pessoas...

Como diz um antigo ditado, se conselho fosse bom ninguém daria, venderia. Mas, depois de tanto tempo fechada a esse assunto resolvi dividi-lo com vocês para que não venham a cometer o mesmo erro que eu.

Em 2002 conheci uma pessoa. Não iria imaginar que passaria os meus próximos cinco anos e meio ao lado dela. Ele tinha acabo de sair de um noivado e eu uma apaixonada. Acreditam em amor à primeira vista? Foi o que aconteceu! Numa tarde de sábado, numa mesa de um barzinho. Um mês depois, ficamos. Meu coração não cabia dentro do peito de tanta alegria. Parecia que ia explodir. Eu quente e ele frio. Eu era sorrisos e ele... choro... pela ex. Quantas vezes ouvi que não adiantava dar murro em ponta de faca porque nunca namoraríamos... Quantas vezes coloquei minha cabeça no travesseiro e fui dormir chorando... Sentimento é algo complicado, ainda mais se for mão única.

Em novembro começamos a namorar. Natal chegando e com ele a empolgação de comprar os presentes. Ele... para as duas. Tinha a mim e a ex. Apesar da menina não querer mais nada, ele ainda queria. Eu estava ali no meio. Eu com ele, ele com ela e ela... bem... com o mundo. Passou 2002 e veio o Ano Novo. A virada do ano prometia. Viagem programada, família e amigos reunidos numa casa de praia. 10... 9... 8... 7... 6... 5... 4... 3... 2... 1... Feliz Ano Novo!!!! Pra quem??? Eu querendo comemorar e ele chorando... bêbado... Foi difícil, mas eu estava ali. Amiga acima de qualquer coisa. Não o obrigava a estar comigo, falava que ele tinha que correr atrás da felicidade. Que se ele amasse tanto a menina assim, que não a perdesse. Ele fez a escolha dele.

Eu não media esforços para vê-lo, para ir encontrá-lo nem que fosse do outro lado da cidade. Não me importava em freqüentar lugares que jamais pensaria em ir um dia. Fiquei totalmente cega. Quase sete meses depois de namoro e ele morando comigo, resolvi criar um e-mail. A senha? Adivinhem! A data de nascimento da ex. Confesso que essa sombra me perseguiu por muito tempo. Depois passou. Tudo passa um dia.

Vivemos momentos maravilhosos. Sempre a vontade dele prevalecendo e eu cedendo às suas exigências. Não que eu não tivesse voz... eu tinha... mas ele já tinha se acostumado com uma pessoa que cedia em prol do outro, em prol de um amor e de um sonho. Às vezes acho que esse sonho foi só meu! Apesar de tudo, eu estava ali do lado. Fui namorada, esposa, amiga, amante e mãe. Na fase mais difícil da vida dele quem lhe estendeu a mão fui eu. Fiquei mais de um ano fazendo o possível e o impossível para ajudá-lo. Apesar da única vez que precisei dele, ele ter me virado às costas, nada que fiz foi em vão. Não me arrependo. Faria tudo de novo.

Perdi minha essência. Esqueci quem eu era. Precisei ficar sozinha um bom tempo para, no meio da loucura, me reencontrar. Coloquei máscaras e criei um personagem para me preservar. Encarei um ritmo frenético de saídas para reencontrar a alegria, conhecer pessoas e me sentir novamente querida. Não esqueci os meus valores, meus princípios. Estes constituem o meu ser, independente da situação na qual me encontro. Meus pés nunca saíram do chão e agi com responsabilidade em todos os momentos. Sabia que o estava fazendo, o que estava buscando.

Sempre dei um tempo entre um namorado e outro. Nunca fui adepta a arrumar um novo amor para esquecer o antigo. Permito-me dar esse tempo. Atualmente sei que estou pronta para namorar... me entregar novamente sem medo. Sei quem eu quero, mas não estou disposta a correr atrás, me humilhar e cometer o mesmo erro. Não sei até que ponto cederia em função do outro.

Se me perguntarem o que tenho de mais importante irei responder sem medo: o amor próprio!