Pessoas...
Semana passada cheguei em casa às 6h da manhã de domingo. Chovia muito. Peguei o jornal, tomei um banho, liguei o computador para baixar as fotos do aniversário que eu acabara de chegar e fui ler a Revista da TV do jornal O Globo. No meio de tantas matérias relacionadas ao meio televisivo uma nota me chamou a atenção. A atriz Demi Moore declarou que usa sanguessugas como tratamento de beleza. O intuito é de eliminar a gordura do sangue. Fiquei me questionando até que ponto as pessoas, principalmente as mulheres, chegam para se enquadrarem num padrão de beleza. Sei que esse assunto é totalmente batido, mas me surpreendi com que são capazes de fazer em prol da aparência.
Cada dia que passa surge uma nova técnica no mercado relacionado à estética. Plásticas, Botox, técnica de preenchimento e agora pode levantar o nariz, esticar rugas e até mesmo o bumbum com um simples fio elástico. O fio búlgaro foi apresentado no V Congresso Mundial de Medicina Estética que aconteceu no Rio de Janeiro no dia 27 de março. A novidade é que a anestesia é local e não precisa de pontos. É uma cirurgia rápida, dura em torno de 15 a 20 minutos e pode variar de R$ 1500 a R$ 6 mil. Fico assustada só de pensar nas futuras técnicas a serem lançadas.
Admito que a minha imagem me preocupa, afinal ela é o meu cartão de visitas. Mas não sou neurótica, não vivo em função de um corpo perfeito. Academia passa longe e não abro mão de comer o que gosto. Aprendi a me controlar e a balancear a comida. Se por ventura num dia eu abusar um pouco mais, no outro fico mais light. E o fato de eu não comer doce já é um ponto a favor. Tenho que admitir, também, que o fato de eu estar bem mais magra me deixou mais segura. Não que antes a minha forma física me incomodasse, mas você passa a ser mais elogiada. Isso faz bem ao ego de qualquer pessoa. Se de um lado tem os elogios, do outro tem as cobranças de manter o peso e de não engordar. Defendo a teoria de que você precisa estar bem consigo mesma. Não adianta emagrecer e depois não se reconhecer no espelho, de fazer uma plástica e perder a sua essência.
Lembro-me de ter visto uma reportagem há alguns anos atrás na TV Globo de uma mulher que, na época, se submeteu a 42 plásticas para ficar parecida com a Barbie. Não precisa ir muito longe, a Ângela Bismarck fez até plástica para repuxar os olhos e parecer uma japonesa durante o desfile da Porto da Pedra, escola na qual é madrinha de bateria. Há uns meses atrás afirmou que voltará a ser virgem graças a mais uma cirurgia para reconstituição do hímem e satisfazer um desejo do marido.
As rugas deveriam ser apreciadas, uma vez que representam toda uma história de vida. Cada fio branco representa uma vitória, uma conquista, mas também tristezas e aborrecimentos. São anos de uma caminhada. Para uns, pesada e dura demais, para outros, cansativa e árdua, mas cheia de gratificações. É tão bonito envelhecer e não ter vergonha de assumir a idade. Quando fiz a exposição de fotografia em preto e branco sobre “A Beleza da Terceira Idade” me convidaram depois para expor em outro lugar. Elogiaram-me justamente pela minha abordagem, pelo meu olhar. As fotos em close acentuavam as expressões e os sorrisos caracterizavam o dever cumprido.
Os padrões não giram somente em torno da beleza. Temos a moda, que exerce uma forte influência no modo de vestir, agir e se comportar. Hoje, a maior referência de beleza é a modelo brasileira Gisele Bündchen. A maioria das mulheres gostaria de ter o corpo, o cabelo, a elegância dela.
O meio artístico lança esses padrões e a sociedade acata. Um exemplo simples, mas que fez a cabeça de muita mulher foi a flor que a Íris, ex-BBB, usava no cabelo. Ela ainda estava no programa quando esse adereço começou a ser comercializado. Acabou virando uma febre e marca registrada da participante do Big Brother Brasil. Uma personalidade que dita moda é a Victoria Beckham. O corte de cabelo, a combinação das roupas, os estilistas. Não é à toa que é considerada uma das mulheres mais bem vestidas do mundo. A sociedade moderna conjuga o verbo ter ao invés do ser. Você é caracterizado pelo que você possui, pelo que veste e não pelo que você é, pela sua inteligência, pelos seus princípios e caráter. A sociedade pós-moderna ou contemporânea conjuga o verbo parece ter, logo parece ser, ou seja, a aparência conta mais do que qualquer outra coisa.
Pode parecer utópico, mas espero que meus filhos e netos cresçam numa sociedade com outros valores, com outros propósitos. Espero, também, poder envelhecer feliz e que no futuro as minhas rugas façam a diferença. Que eu sinta orgulho de cada pé de galinha no canto dos olhos e das minhas mãos enrugadas. Que meus netos apertem as pelanquinhas do meu braço, como faço com a minha avó todos os dias. São essas lembranças que eu vou carregar pra toda vida.
segunda-feira, 14 de abril de 2008
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