segunda-feira, 31 de março de 2008

Tempo

Pessoas...

Lembro-me que quando eu era pequena o meu sonho era ter 12 anos. Achava essa idade linda e acreditava que eu poderia fazer qualquer coisa como sair com os amigos, andar no banco da frente do carro e namorar. Completei 12 anos e nada mudou. Eu continuava a brincar de bonecas e nem queria saber de namorados. Ah, passei a andar no banco da frente. Quando fiz 15 anos alguém me falou que a minha vida iria voar. Não acreditei. Até ali a minha vida tinha demorado tanto a passar.

Hoje tenho que confessar que a pessoa que me falou isso tinha razão. Depois dos 15 você ocupa sua vida de tal forma que acaba esquecendo de manter a pureza e a calma da infância. O segundo grau surge com a preocupação do Vestibular, depois a Faculdade, o trabalho e quando nos damos conta a vida passou.

Esse ano mal começou e já estamos em abril. As horas estão voando e estamos cada vez mais reféns do tempo. O homem não criou somente o relógio com suas horas, minutos, segundos, centésimos e milésimos de segundos como forma de controlar o tempo. Existe o calendário também. Estamos presos tanto ao passar das horas quanto ao passar dos dias, meses e anos. Ontem estava assistindo ao Fantástico e teve um comentário interessante sobre isso. Tomei a liberdade de copiar o trecho do site. “Você é daqueles que tem tempo de sobra ou vive sem tempo? O tempo para você hoje passou rapidinho ou demorou à beça? Se o tempo é sempre o mesmo, por que a gente vive fazendo estas perguntas? O problema não é o tempo. É o que a gente faz com ele” (
http://fantastico.globo.com/Jornalismo/Fantastico/0,,AA1676978-4005,00.html).

O tempo não perdoa. Pode ser um bom amigo, principalmente quando se trata de perdas, mas pode ser muito cruel para quem está em fase terminal, por exemplo. O primeiro se torna o melhor amigo quando terminamos com alguém que amamos, ajuda a cicatrizar as feridas; e quando alguém querido falece tem a capacidade de fazer com que a dor se torne em saudade e em recordações. O segundo caso é pior. Quantas vezes presenciamos o sofrimento de um ente querido no hospital e não podemos fazer nada? Só visitá-lo e torcer para que diminua a dor e o sofrimento que a pessoa está sentindo. E quando estamos totalmente enrolados precisando entregar um projeto ou um contrato revisado e o tempo não nos favorece? Tudo na vida tem dois lados. Nada é tão bom e nem tão ruim, depende do ponto de vista que escolhemos olhar.

Fico me questionando no dia que eu tiver filho. Conheço pessoas que saíram do trabalho para poder acompanhar o primeiro ano, pois é nesse período que ele faz as primeiras gracinhas, desvenda o “mundo” e começa a emitir os primeiros sons. Dizem que a melhor fase do ser humano. Tem uma frase já batida que diz que precisamos aproveitar cada dia como se fosse o primeiro e o último de nossa vida. Não deixa de ser uma verdade, uma vez que nada retrocede. Não temos tempo de voltar atrás e consertar tudo o que fizemos de errado.

O tempo passa e, na maioria das vezes, quando percebemos deixamos muitas coisas perdidas no passado. As amizades de infância, de colégio, de faculdade que ficaram para trás, justamente por não termos tempo de nutri-las. O dia se torna tão corrido, ainda mais quando se tem filho, que quando nos demos conta já está tarde e precisamos dormir para mais um dia de trabalho. Os laços vão ficando para o segundo plano e com isso surgem barreiras enormes e, às vezes, intransponíveis.

Quero voltar à época de colégio, quando eu não tinha preocupação alguma. Aliás, só uma: estudar para passar de ano. Os namoros na porta da escola não tinham cobranças, a paquera rolava solta. As idas ao cinema, à boate, as reuniões na casa dos amigos. Qualquer situação, por mais insignificante que fosse, era motivo de comemoração, de reunir a galera. Mas... ninguém é Peter Pan para sempre. Crescemos, criamos responsabilidades e o que nos resta é a saudade de um tempo que não volta mais.



SEISCENTOS E SESSENTA E SEIS

A vida é uns deveres que nós trouxemos para fazer em casa.Quando se vê, já são 6 horas: há tempo...Quando se vê, já é 6ªfeira...Quando se vê, passaram 60 anos...Agora, é tarde demais para ser reprovado...E se me dessem - um dia - uma outra oportunidade,eu nem olhava o relógio.seguia sempre, sempre em frente ...

E iria jogando pelo caminho a casca dourada e inútil das horas.

Mario Quintana ( In: Esconderijo do tempo)

sexta-feira, 28 de março de 2008

Dengue

Pessoas....

Eu estava pensando sobre o que eu iria escrever justamente no meu primeiro post. Tantos assuntos.... mas não tenho como me calar diante da Dengue. O Rio de Janeiro está vivendo uma epidemia e nos questionamos como um mosquitinho está conseguindo matar tanta gente. No início lia-se no jornal que os casos de dengue vinham aumentando, mas agora a situação fugiu completamente ao controle. Nem as autoridades se entendem mais.

A culpa é nossa que não viramos garrafas para baixo, não colocamos terra no pratinho das plantas, não fechamos a caixa d’água e deixamos a água empoçar. Tem pessoas que só se mobilizam quando um parente fica doente. Não adianta uma pessoa tomar todos os cuidados se o vizinho não coopera. A dengue depende de uma ação conjunta.

Os hospitais estão lotados e não pensem que são só os públicos. Estive num particular essa semana que o tempo estimado para atendimento era de três horas. Primeiro você é obrigado a passar por uma triagem para identificar a sua gravidade - torça para ser grave, porque senão o seu tempo de espera aumenta. Depois o médico examina e pede o exame de sangue, após algumas horas o resultado chega e você precisa cruzar os dedos para o médico conseguir um minuto para poder avaliá-lo.

O mais triste é que as crianças estão sendo as mais afetadas. Muitas estão morrendo devido à hemorragia ou a um diagnóstico errado, o que atrasa o tratamento. Primeiro virose, depois dengue. Escolas estão desenvolvendo atividades de conscientização e ensinando medidas preventivas e de combate a dengue. A calça comprida virou uniforme diário para proteger as pernas.

A preocupação dos pais e jovens é tanta que os repelentes estão sumindo das prateleiras. Já não se encontra mais o produto com facilidade em farmácias e supermercados. As pessoas estão comprando mais de um vidro para ter algum de reserva em casa. Não são somente os infantis que estão acabando, os destinados aos adultos também. Ninguém quer ficar doente. O maior medo é da dengue hemorrágica. O Hemorio está fazendo uma campanha, inclusive com participação de pessoas famosas, para que a população doe sangue. Os bancos não estão suportando a procura.

Cada um precisa fazer a sua parte, tomar todos os devidos cuidados para não haver proliferação do mosquito. Calcula-se que 90% dos focos do Aedes Aegypti sejam domésticos. Portanto vamos nos unir e não deixar que mais pessoas morram ou fiquem doentes! Os números estão só aumentando.