Pessoas...
Tomei a liberdade de postar um artigo da Martha Medeiros publicado na Revista O Globo de domingo passado (19/10/2008). Quem sou eu para fazer campanha eleitoral para alguém, mas achei interessante e curioso o que ela escreveu sobre ele. Segue abaixo o artigo na íntegra
Se Gabeira ganhar
"Sempre fomos amigos, ele é uma pessoa capaz e não pretendo vencer a qualquer preço". O autor dessa frase é Fernando Gabeira, avisando que não engrossaria o tom da campanha para enfrentar Eduardo Paes no segundo turno pela prefeitura do Rio.
Infelizmente, algumas mulheres e homens íntegros costumam dar férias para sua integridade durante campanhas eleitorais. Nessa hora, todo mundo vira leão e quer devorar o outro. Imagine um candidato admitir, antes do resultado final, que o adversário é um homem capaz. Por essas e outras é que a grande novidade dessa eleição foi Gabeira ter passado para o segundo turno, a despeito de todos os preconceitos que poderiam barrar a alavancagem de sua candidatura. Isso, por si só, já é uma vitória do Brasil - não só do Rio de Janeiro.
Se Gabeira ganhar, será a prova de que o brasileiro cansou de ficar se lamentando em balcão de bar, repetindo a ladainha de que político é tudo igual.
Se Gabeira ganhar, saberemos que existe uma parcela da população que não tem medo de quem possui uma mentalidade aberta e está apostando em quem tem experiência não só política, mas de vida.
Se Gabeira ganhar, testemunharemos num cargo público um homem que conversa com o eleitor de igual pra igual, dizendo exatamente o que pensa, em vez de apelar para discursos fleumáticos e repetitivos, entulhado de jargões.
Se Gabeira ganhar, vai ser a recompensa merecida por ele ter peitado Severino Cavalcanti, dando nele um cala-boca que todos nós gostaríamos te ter dado na ocasião do mensalinho.
Se Gabeira ganhar, não será apenas o deputado federal que assumirá o cargo, mas também o escritor e jornalista que tantas vezes defendeu as liberdades individuais, os direitos humanos, as formas alternativas de se viver em sociedade e que tem uma consciência ecológica que vem de muito antes disso virar moda.
Muitos candidatos - inclusive Fogaça e Maria do Rosário, que dispiutarão o segundo turno em Porto Alegre, onde voto - já elimimaram a pose de super-heróis e a prosa característica dos "profissionais" da política, aqueles que dizem apenas o que o eleitor quer ouvir, sem compromisso com a viabilidade do que está sendo dito. Mas Fernando Gabeira, pela projeção nacional que tem e pela cidade problemática que pretende governar, é o fato eleitoral de 2008. É interesse de todos nós que a política brasileira experimente, para variar, dar espaço para alguém com um perfil mais ético, corajoso e cosmopolita. Se ele será um bom prefeito, caso eleito? Não sei, ninguém sabe. Mas ter vencido a desconfiança diante da sua biografia incomum já é motivo para comemorarmos. Ao dar crédito para Gabeira, o Brasil ficou um pouco mais moderno".
terça-feira, 21 de outubro de 2008
quarta-feira, 8 de outubro de 2008
Falta de ar
Pessoas
Estou com saudades de escrever aqui. Fiquei ausente durante esse tempo devido ao trabalho. Tenho estado muito tempo fora da empresa e quando chego em casa só penso em tomar um banho e dormir.
Resolvi externar uma situação pela qual passei e que tem me perturbado bastante. Desde pequena eu tenho trauma de morte. Parece estranho, mas só de pensar que um dia meus olhos vão fechar e que nunca mais vão abrir... me falta de ar. Quando eu era bebê, 10 meses para ser exata, minha mãe me deu remédio errado e acabou dilatando minhas vias respiratórias. Conclusão: fui parar no hospital, tomei soro pela cabeça, fiquei internada um tempo e quase morri. Isso tudo numa cidadezinha chamada São Lourenço, que há quase 26 anos atrás era bem interiorana. Acredito que devo ter guardado essa informação no meu subconsciente. A psicologia explica. Fiz terapia um ano para perder esse medo. Melhorei, mas como falei na primeira linha, passei por uma situação nada confortável.
Domingo à noite, garganta doendo, vidrinho de Salompas do seu lado. Pronto! Sonolenta... peguei o remédio e passei na garganta. Se eu queria acabar com a dor, eu consegui, mas em troca minha glote fechou. Primeiro comecei a sentir uma dormência na garganta, depois não conseguia mais engolir e por último a respiração começou a faltar. O desespero e o medo fizeram com que minha pressão baixasse e com que eu começasse a suar frio. A minha sorte é que o inchaço ficou no lado direito e depois que me acalmei, consegui voltar a respirar. Com dificuldade, confesso, mas meu “paidrasto” conseguiu que eu controlasse a minha respiração. Não me pergunte como, estava literalmente em alfa.
Essa situação mexeu muito comigo. Queria ter ido para o hospital, mas domingo de madrugada minha mãe achou que só ia ter residentes na emergência e que com certeza iriam me colocar no respirador. O medo dela era enorme, o meu também. Não sabia o que seria pior. Só pensava que iria morrer.
Hoje, quando deito para dormir me vem todo dia essa sensação. Acho que minha garganta vai fechar, que vou ficar com falta de ar e que não irei acordar no dia seguinte. O pior é que o nosso subconsciente é tão poderoso que consegue fazer com que sintamos todos os sintomas. Quando me acalmo, que penso que é besteira e que é coisa da minha cabeça, relaxo e durmo. Sábado não consegui me controlar. Acreditei cegamente que eu iria ficar sufocada e que ninguém iria me ver com falta de ar e, conseqüentemente, iria morrer. Conclusão: fui dormir no quarto com a minha mãe e meu paidrasto.
Algumas pessoas falam que preciso de terapia. Acredito nisso. Todo mundo precisa. Mas, sei que é coisa da minha cabeça, uma lembrança do passado que voltou à tona. Com o tempo as coisas vão melhorar e eu vou conseguir esquecer esse dia. O que não vale é ficar relembrando, até porque só de pensar já sinto minha garganta fechar.
Estou aceitando indicações de analistas! *rs*
Estou com saudades de escrever aqui. Fiquei ausente durante esse tempo devido ao trabalho. Tenho estado muito tempo fora da empresa e quando chego em casa só penso em tomar um banho e dormir.
Resolvi externar uma situação pela qual passei e que tem me perturbado bastante. Desde pequena eu tenho trauma de morte. Parece estranho, mas só de pensar que um dia meus olhos vão fechar e que nunca mais vão abrir... me falta de ar. Quando eu era bebê, 10 meses para ser exata, minha mãe me deu remédio errado e acabou dilatando minhas vias respiratórias. Conclusão: fui parar no hospital, tomei soro pela cabeça, fiquei internada um tempo e quase morri. Isso tudo numa cidadezinha chamada São Lourenço, que há quase 26 anos atrás era bem interiorana. Acredito que devo ter guardado essa informação no meu subconsciente. A psicologia explica. Fiz terapia um ano para perder esse medo. Melhorei, mas como falei na primeira linha, passei por uma situação nada confortável.
Domingo à noite, garganta doendo, vidrinho de Salompas do seu lado. Pronto! Sonolenta... peguei o remédio e passei na garganta. Se eu queria acabar com a dor, eu consegui, mas em troca minha glote fechou. Primeiro comecei a sentir uma dormência na garganta, depois não conseguia mais engolir e por último a respiração começou a faltar. O desespero e o medo fizeram com que minha pressão baixasse e com que eu começasse a suar frio. A minha sorte é que o inchaço ficou no lado direito e depois que me acalmei, consegui voltar a respirar. Com dificuldade, confesso, mas meu “paidrasto” conseguiu que eu controlasse a minha respiração. Não me pergunte como, estava literalmente em alfa.
Essa situação mexeu muito comigo. Queria ter ido para o hospital, mas domingo de madrugada minha mãe achou que só ia ter residentes na emergência e que com certeza iriam me colocar no respirador. O medo dela era enorme, o meu também. Não sabia o que seria pior. Só pensava que iria morrer.
Hoje, quando deito para dormir me vem todo dia essa sensação. Acho que minha garganta vai fechar, que vou ficar com falta de ar e que não irei acordar no dia seguinte. O pior é que o nosso subconsciente é tão poderoso que consegue fazer com que sintamos todos os sintomas. Quando me acalmo, que penso que é besteira e que é coisa da minha cabeça, relaxo e durmo. Sábado não consegui me controlar. Acreditei cegamente que eu iria ficar sufocada e que ninguém iria me ver com falta de ar e, conseqüentemente, iria morrer. Conclusão: fui dormir no quarto com a minha mãe e meu paidrasto.
Algumas pessoas falam que preciso de terapia. Acredito nisso. Todo mundo precisa. Mas, sei que é coisa da minha cabeça, uma lembrança do passado que voltou à tona. Com o tempo as coisas vão melhorar e eu vou conseguir esquecer esse dia. O que não vale é ficar relembrando, até porque só de pensar já sinto minha garganta fechar.
Estou aceitando indicações de analistas! *rs*
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