terça-feira, 16 de dezembro de 2008

Auto-Reflexão

Pessoas

Eu sou uma pessoa que erro tentando fazer o certo. Como dizem as minhas amigas, moro num mundo cor-de-rosa onde as pessoas são boas como eu e a maldade não tem vez.


É errado ser impulsiva? É errado correr atrás e lutar pelo que deseja? Para muitos é loucura, mas a meu ver isso é ter atitude, é ter independência para se fazer o que quiser. Poucas pessoas têm coragem de agir dessa forma.

Se for errado não querer se magoar e tomar certas decisões para isso, eu quero continuar errando. O que os outros pensam ao meu respeito pouco me importa, trabalho para pagar as minhas contas. Independência custa caro! Quero fazer as coisas que acalmem o meu coração. Um amigo meu disse uma vez que devemos arriscar sempre, porque se não fizermos isso iremos perder 100% da chance que teoricamente possuímos. Arriscar é para poucos. Os fracos ficam pelo caminho. Só arrisca quem conhece os seus limites e quem possui força de se reerguer caso as expectativas não sejam as esperadas.

Uma amiga minha, que é super forte, me disse uma vez que não tem a minha coragem. As pessoas acham que eu sou frágil e por isso têm medo de me magoarem, de me falarem as coisas e, eu, quebrar. Cada um tem um jeito e o meu é ser carinhosa, atenciosa, boa, amiga, extrovertida e... ingênua. É... eu ainda acredito nas pessoas. Isso é defeito?

A minha coragem é relativa, porque eu não dou chance às pessoas. Eu simplesmente sumo para não sofrer e não ter de ouvir explicações. Dissipo-me no vento sem deixar vestígios. A minha presença se torna, então, lembrança... às vezes doces... outras amargas. Se eu permaneço é porque eu gosto, porque me cativaram. Essa situação está totalmente entrelaçada com a minha paciência, que ora é enorme e ora é curta como um pavio prestes a explodir.

Confesso que muitas vezes eu gostaria de ser egoísta e só pensar em mim; gostaria de ser individualista e só fazer o que me interessa; gostaria de ignorar os meus amigos quando estes enchem a minha paciência; gostaria de agir como metade do mundo, mas não consigo. Eu, felizmente ou não, penso sempre nos outros. Estou sempre à disposição para ajudar e, cada vez mais, o sentimento que recebo em troca é a decepção.

Às vezes o meu mundo cor-de-rosa desmorona igual a um castelo de areia quando a onda bate. Meu mundo fica preto e é quando ele fica assim que eu tiro forças para levantar.

Eu sou uma pessoa que odeia dúvidas. Sou muito decidida, focada e não aturo indecisões. Gosto de respostas. Penso que todo mundo sabe o que quer, afinal temos de fazer escolhas todos os dias. Quem fica “em cima” do muro é ou porque está perdido ou porque não quer assumir os seus desejos (talvez por medo). Eu assumo os meus! Não ligo para os riscos que vou correr!

Já me criticaram por ser uma pessoa acessível e me fechei, mas a questão não é de eu ser aberta, é de ser franca e não magoar ninguém. Franqueza é errado? Estou começando a achar que as minhas qualidades são defeitos nesse mundo distorcido.

Sempre falo que não vou para o céu por curtir com as pessoas, fazerem-nas rirem, mas estou começando a achar que eu vou para céu porque tenho princípios e caráter. Isso, me desculpe, é qualidade! As pessoas mentem numa velocidade absurda; falam como se fosse a mais pura verdade; traem a confiança de pessoas queridas em troca de caprichos; falam sem pensar e não querem saber se as palavras vão ferir ou não. Eu aprendi a respeitar o outro e a não fazer com ele o que não quero que façam comigo.

Tenho por hábito dizer que sou uma pessoa fácil de conviver. Odeio fofocas, intrigas, mesquinharia. Valorizo sentimentos positivos como amizade, amor, alegria. Não perco meu tempo discutindo! O meu mundo cor-de-rosa pode estar negro que eu estarei sorrindo. As pessoas têm problemas demais para aturarem o meu mau humor. Não dou importância para coisas pequenas, besteiras de criança. Dificilmente alguém me vê triste, cabisbaixa e chorando de tristeza. Isso eu deixo para compartilhar com meu travesseiro. Boas energias atraem coisas positivas.

Bom... essa é uma parte de mim... porque sou muito maior que isso!

sexta-feira, 7 de novembro de 2008

A derrota de Paes

Pessoas,

Recebi esse texto por e-mail. Ele está assinado pela Cora Ronai, mas internet não é uma fonte muito confiável. Quem não a conhece, ela é jornalista, colunista do jornal O Globo e editora de tecnologia.



"A derrota de Paes


Abrindo mão das próprias convicções (se é que um dia as teve), aliando-se ao que há de mais podre no estado, gastando rios de dinheiro, jogando sujo, usando descaradamente a máquina estadual, federal e universal, beneficiando-se até de um feriado mal intencionado, enfim, com tudo isso, Eduardo Paes só conseguiu ganhar de Gabeira por 50 mil míseros votos.

Como vitória política, já é um resultado extremamente questionável; mas do ponto de vista pessoal, é uma derrota acachapante.

Eduardo Paes levou a prefeitura, sim, mas de contrapeso ficou com uma quadrilha de aliados que não deixa nada a dever àquela que ele acusava o presidente Lula de comandar.

Vai ser prefeito, sim, mas vai ter de arranjar boquinhas para o Crivella, para o Lupi, para o Piciani, para a Clarissa Garotinho, para o Roberto Jefferson, para a Carminha Jerominho, para o Babu, para o Dornelles, para a Jandira... estou esquecendo alguém?

Conquistou um cargo, é verdade, mas conquistou também o desprezo mais profundo de metade do eleitorado.

Em compensação, como carioca, perdeu a chance de viver um momento histórico, em que a prefeitura seria, afinal, ocupada por um homem de bem, com idéias novas e um novo jeito de fazer política; perdeu a chance de ver o Rio de Janeiro sair do limbo a que foi condenado nas últimas décadas, e ganhar projeção pela singularidade da sua administração.

Se Gabeira tivesse sido eleito prefeito, o Rio, que hoje não significa nada em termos políticos, voltaria a ter relevância, até pelo inusitado da coisa. Um prefeito eleito na base do voluntariado, do entusiasmo dos eleitores e da vontade coletiva de virar a mesa seria alguém em quem o país seria obrigado a prestar atenção.

Agora, lá vamos nós para quatro anos de subserviente nulidade, quatro anos em que o recado das urnas será interpretado, pela corja que domina esta infeliz cidade, como um retumbante "Liberou geral!" "


Vou finalizar com a frase que Aguinaldo Silva (autor de novelas das 20h da Globo) postou em seu blog:

"Quem de vocês, seus irresponsáveis, deixou de votar só pra ir tomar banho de cocô na praia, e assim não ajudou a eleger o Gabeira?"

terça-feira, 21 de outubro de 2008

Gabeira

Pessoas...

Tomei a liberdade de postar um artigo da Martha Medeiros publicado na Revista O Globo de domingo passado (19/10/2008). Quem sou eu para fazer campanha eleitoral para alguém, mas achei interessante e curioso o que ela escreveu sobre ele. Segue abaixo o artigo na íntegra

Se Gabeira ganhar

"Sempre fomos amigos, ele é uma pessoa capaz e não pretendo vencer a qualquer preço". O autor dessa frase é Fernando Gabeira, avisando que não engrossaria o tom da campanha para enfrentar Eduardo Paes no segundo turno pela prefeitura do Rio.

Infelizmente, algumas mulheres e homens íntegros costumam dar férias para sua integridade durante campanhas eleitorais. Nessa hora, todo mundo vira leão e quer devorar o outro. Imagine um candidato admitir, antes do resultado final, que o adversário é um homem capaz. Por essas e outras é que a grande novidade dessa eleição foi Gabeira ter passado para o segundo turno, a despeito de todos os preconceitos que poderiam barrar a alavancagem de sua candidatura. Isso, por si só, já é uma vitória do Brasil - não só do Rio de Janeiro.

Se Gabeira ganhar, será a prova de que o brasileiro cansou de ficar se lamentando em balcão de bar, repetindo a ladainha de que político é tudo igual.

Se Gabeira ganhar, saberemos que existe uma parcela da população que não tem medo de quem possui uma mentalidade aberta e está apostando em quem tem experiência não só política, mas de vida.

Se Gabeira ganhar, testemunharemos num cargo público um homem que conversa com o eleitor de igual pra igual, dizendo exatamente o que pensa, em vez de apelar para discursos fleumáticos e repetitivos, entulhado de jargões.

Se Gabeira ganhar, vai ser a recompensa merecida por ele ter peitado Severino Cavalcanti, dando nele um cala-boca que todos nós gostaríamos te ter dado na ocasião do mensalinho.

Se Gabeira ganhar, não será apenas o deputado federal que assumirá o cargo, mas também o escritor e jornalista que tantas vezes defendeu as liberdades individuais, os direitos humanos, as formas alternativas de se viver em sociedade e que tem uma consciência ecológica que vem de muito antes disso virar moda.

Muitos candidatos - inclusive Fogaça e Maria do Rosário, que dispiutarão o segundo turno em Porto Alegre, onde voto - já elimimaram a pose de super-heróis e a prosa característica dos "profissionais" da política, aqueles que dizem apenas o que o eleitor quer ouvir, sem compromisso com a viabilidade do que está sendo dito. Mas Fernando Gabeira, pela projeção nacional que tem e pela cidade problemática que pretende governar, é o fato eleitoral de 2008. É interesse de todos nós que a política brasileira experimente, para variar, dar espaço para alguém com um perfil mais ético, corajoso e cosmopolita. Se ele será um bom prefeito, caso eleito? Não sei, ninguém sabe. Mas ter vencido a desconfiança diante da sua biografia incomum já é motivo para comemorarmos. Ao dar crédito para Gabeira, o Brasil ficou um pouco mais moderno".

quarta-feira, 8 de outubro de 2008

Falta de ar

Pessoas

Estou com saudades de escrever aqui. Fiquei ausente durante esse tempo devido ao trabalho. Tenho estado muito tempo fora da empresa e quando chego em casa só penso em tomar um banho e dormir.

Resolvi externar uma situação pela qual passei e que tem me perturbado bastante. Desde pequena eu tenho trauma de morte. Parece estranho, mas só de pensar que um dia meus olhos vão fechar e que nunca mais vão abrir... me falta de ar. Quando eu era bebê, 10 meses para ser exata, minha mãe me deu remédio errado e acabou dilatando minhas vias respiratórias. Conclusão: fui parar no hospital, tomei soro pela cabeça, fiquei internada um tempo e quase morri. Isso tudo numa cidadezinha chamada São Lourenço, que há quase 26 anos atrás era bem interiorana. Acredito que devo ter guardado essa informação no meu subconsciente. A psicologia explica. Fiz terapia um ano para perder esse medo. Melhorei, mas como falei na primeira linha, passei por uma situação nada confortável.

Domingo à noite, garganta doendo, vidrinho de Salompas do seu lado. Pronto! Sonolenta... peguei o remédio e passei na garganta. Se eu queria acabar com a dor, eu consegui, mas em troca minha glote fechou. Primeiro comecei a sentir uma dormência na garganta, depois não conseguia mais engolir e por último a respiração começou a faltar. O desespero e o medo fizeram com que minha pressão baixasse e com que eu começasse a suar frio. A minha sorte é que o inchaço ficou no lado direito e depois que me acalmei, consegui voltar a respirar. Com dificuldade, confesso, mas meu “paidrasto” conseguiu que eu controlasse a minha respiração. Não me pergunte como, estava literalmente em alfa.

Essa situação mexeu muito comigo. Queria ter ido para o hospital, mas domingo de madrugada minha mãe achou que só ia ter residentes na emergência e que com certeza iriam me colocar no respirador. O medo dela era enorme, o meu também. Não sabia o que seria pior. Só pensava que iria morrer.

Hoje, quando deito para dormir me vem todo dia essa sensação. Acho que minha garganta vai fechar, que vou ficar com falta de ar e que não irei acordar no dia seguinte. O pior é que o nosso subconsciente é tão poderoso que consegue fazer com que sintamos todos os sintomas. Quando me acalmo, que penso que é besteira e que é coisa da minha cabeça, relaxo e durmo. Sábado não consegui me controlar. Acreditei cegamente que eu iria ficar sufocada e que ninguém iria me ver com falta de ar e, conseqüentemente, iria morrer. Conclusão: fui dormir no quarto com a minha mãe e meu paidrasto.

Algumas pessoas falam que preciso de terapia. Acredito nisso. Todo mundo precisa. Mas, sei que é coisa da minha cabeça, uma lembrança do passado que voltou à tona. Com o tempo as coisas vão melhorar e eu vou conseguir esquecer esse dia. O que não vale é ficar relembrando, até porque só de pensar já sinto minha garganta fechar.

Estou aceitando indicações de analistas! *rs*

segunda-feira, 25 de agosto de 2008

Superficialidade

Pessoas...

Em algum outro post escrevi que atualmente os sentimentos estão superficiais. Você sai à noite e o que encontra é uma verdadeira selva, como diz um amigo meu. Todos estão à caça. São mulheres atrás de homens e vice-versa. Beijar um homem é saber que a pretensão dele é te levar para a cama. Só isso! Ele usa o seu corpo, você o dele e o que ganham em troca é o prazer. Não crie expectativas e nem espere uma ligação no dia seguinte. Isso não irá acontecer! Fico me questionando em qual momento do passado o romantismo se perdeu.

Preciso confessar que eu ainda me assusto com esse avanço todo. Se os homens estão mais diretos ao ponto de não esperar um segundo encontro para convidar a pessoa para conhecer o apartamento dele é porque as mulheres deram esse espaço. Não se valorizaram. Hoje não existe mais a conquista. Você conhece a pessoa, troca uns beijos e já espera a pergunta: “Para onde vamos depois daqui?”. Cabe a você aceitar ou não.

O respeito não existe mais. Você beija e a pessoa já vem igual a um polvo. São mãos de todos os lados e de onde menos se espera. Muitos homens perdem ótimas mulheres por acharem que todas são iguais. Realmente existem mulheres que não se dão ao respeito, mas os homens igualam todas por baixo. Vou contar um segredinho: É melhor nos igualar por cima, desta forma não sai perdendo e fica mais respeitoso e elegante.

Durante esses meses que estou solteira não conheci o sentimento. Para uma pessoa que sempre namorou é estranho ir a uma micareta e não se chocar com a “pegação” que rola. Infelizmente você acaba se acostumando com a situação, com o fato de beijar uma pessoa que nunca viu e que provavelmente nunca mais irá ver. Qual a graça disso? Saber que você foi mais uma pra ele e ele mais um pra você? Eu não penso assim. Gosto de saber quem estou beijando. Gosto que a pessoa saiba que ela não é mais um dado estatístico na minha vida, que ela tem um significado. É respeito pelo outro. Isso não quer dizer que meus sentimentos por ela não sejam superficiais.

Segue abaixo uma crônica de Arnaldo Jabour que fala exatamente sobre o assunto tratado por mim.



"Estamos com fome de amor

Uma vez Renato Russo disse com uma sabedoria ímpar: "Digam o que disserem, o mal do século é a solidão". Pretensiosamente digo que assino embaixo sem dúvida alguma. Parem pra notar, os sinais estão batendo em nossa cara todos os dias.

Baladas recheadas de garotas lindas, com roupas cada vez mais micros e transparentes, danças e poses em closes ginecológicos, chegam sozinhas. E saem sozinhas. Empresários, advogados, engenheiros que estudaram, trabalharam, alcançaram sucesso profissional e, sozinhos.

Tem mulher contratando homem para dançar com elas em bailes, os novíssimos "personal dance", incrível. E não é só sexo não, se fosse, era resolvido fácil, alguém duvida?

Estamos é com carência de passear de mãos dadas, dar e receber carinho sem necessariamente ter que depois mostrar performances dignas de um atleta olímpico, fazer um jantar pra quem você gosta e depois saber que vão "apenas" dormir abraçados, sabe, essas coisas simples que perdemos nessa marcha de uma evolução cega.

Pode fazer tudo, desde que não interrompa a carreira, a produção. Tornamos-nos máquinas e agora estamos desesperados por não saber como voltar a "sentir", só isso, algo tão simples que a cada dia fica tão distante de nós.

Quem duvida do que estou dizendo, dá uma olhada no site de relacionamentos Orkut, o número que comunidades como: "Quero um amor pra vida toda!", "Eu sou pra casar!" até a desesperançada "Nasci pra ser sozinho!".

Unindo milhares, ou melhor, milhões de solitários em meio a uma multidão de rostos cada vez mais estranhos, plásticos, quase etéreos e inacessíveis.

Vivemos cada vez mais tempo, retardamos o envelhecimento e estamos a cada dia mais belos e mais sozinhos. Sei que estou parecendo o solteirão infeliz, mas pelo contrário, pra chegar a escrever essas bobagens (mais que verdadeiras) é preciso encarar os fantasmas de frente e aceitar essa verdade de cara limpa. Todo mundo quer ter alguém ao seu lado, mas hoje em dia é feio, démodé, brega.

Alô gente! Felicidade, amor, todas essas emoções nos fazem parecer ridículos, abobalhados, e daí? Seja ridículo, não seja frustrado, "pague mico", saia gritando e falando bobagens, você vai descobrir mais cedo ou mais tarde que o tempo pra ser feliz é curto, e cada instante que vai embora não volta.

Mais (estou muito brega!), aquela pessoa que passou hoje por você na rua, talvez nunca mais volte a vê-la, quem sabe ali estivesse a oportunidade de um sorriso a dois.

Quem disse que ser adulto é ser ranzinza? Um ditado tibetano diz que se um problema é grande demais, não pense nele e se ele é pequeno demais, pra quê pensar nele. Dá pra ser um homem de negócios e tomar iogurte com o dedo ou uma advogada de sucesso que adora rir de si mesma por ser estabanada; o que realmente não dá é continuarmos achando que viver é out, que o vento não pode desmanchar o nosso cabelo ou que eu não posso me aventurar a dizer pra alguém: "vamos ter bons e maus momentos e uma hora ou outra, um dos dois ou quem sabe os dois, vão querer pular fora, mas se eu não pedir que fique comigo, tenho certeza de que vou me arrepender pelo resto da vida".

Antes idiota que infeliz!”
Arnaldo Jabor

quarta-feira, 20 de agosto de 2008

Amor Próprio

Pessoas...

Como diz um antigo ditado, se conselho fosse bom ninguém daria, venderia. Mas, depois de tanto tempo fechada a esse assunto resolvi dividi-lo com vocês para que não venham a cometer o mesmo erro que eu.

Em 2002 conheci uma pessoa. Não iria imaginar que passaria os meus próximos cinco anos e meio ao lado dela. Ele tinha acabo de sair de um noivado e eu uma apaixonada. Acreditam em amor à primeira vista? Foi o que aconteceu! Numa tarde de sábado, numa mesa de um barzinho. Um mês depois, ficamos. Meu coração não cabia dentro do peito de tanta alegria. Parecia que ia explodir. Eu quente e ele frio. Eu era sorrisos e ele... choro... pela ex. Quantas vezes ouvi que não adiantava dar murro em ponta de faca porque nunca namoraríamos... Quantas vezes coloquei minha cabeça no travesseiro e fui dormir chorando... Sentimento é algo complicado, ainda mais se for mão única.

Em novembro começamos a namorar. Natal chegando e com ele a empolgação de comprar os presentes. Ele... para as duas. Tinha a mim e a ex. Apesar da menina não querer mais nada, ele ainda queria. Eu estava ali no meio. Eu com ele, ele com ela e ela... bem... com o mundo. Passou 2002 e veio o Ano Novo. A virada do ano prometia. Viagem programada, família e amigos reunidos numa casa de praia. 10... 9... 8... 7... 6... 5... 4... 3... 2... 1... Feliz Ano Novo!!!! Pra quem??? Eu querendo comemorar e ele chorando... bêbado... Foi difícil, mas eu estava ali. Amiga acima de qualquer coisa. Não o obrigava a estar comigo, falava que ele tinha que correr atrás da felicidade. Que se ele amasse tanto a menina assim, que não a perdesse. Ele fez a escolha dele.

Eu não media esforços para vê-lo, para ir encontrá-lo nem que fosse do outro lado da cidade. Não me importava em freqüentar lugares que jamais pensaria em ir um dia. Fiquei totalmente cega. Quase sete meses depois de namoro e ele morando comigo, resolvi criar um e-mail. A senha? Adivinhem! A data de nascimento da ex. Confesso que essa sombra me perseguiu por muito tempo. Depois passou. Tudo passa um dia.

Vivemos momentos maravilhosos. Sempre a vontade dele prevalecendo e eu cedendo às suas exigências. Não que eu não tivesse voz... eu tinha... mas ele já tinha se acostumado com uma pessoa que cedia em prol do outro, em prol de um amor e de um sonho. Às vezes acho que esse sonho foi só meu! Apesar de tudo, eu estava ali do lado. Fui namorada, esposa, amiga, amante e mãe. Na fase mais difícil da vida dele quem lhe estendeu a mão fui eu. Fiquei mais de um ano fazendo o possível e o impossível para ajudá-lo. Apesar da única vez que precisei dele, ele ter me virado às costas, nada que fiz foi em vão. Não me arrependo. Faria tudo de novo.

Perdi minha essência. Esqueci quem eu era. Precisei ficar sozinha um bom tempo para, no meio da loucura, me reencontrar. Coloquei máscaras e criei um personagem para me preservar. Encarei um ritmo frenético de saídas para reencontrar a alegria, conhecer pessoas e me sentir novamente querida. Não esqueci os meus valores, meus princípios. Estes constituem o meu ser, independente da situação na qual me encontro. Meus pés nunca saíram do chão e agi com responsabilidade em todos os momentos. Sabia que o estava fazendo, o que estava buscando.

Sempre dei um tempo entre um namorado e outro. Nunca fui adepta a arrumar um novo amor para esquecer o antigo. Permito-me dar esse tempo. Atualmente sei que estou pronta para namorar... me entregar novamente sem medo. Sei quem eu quero, mas não estou disposta a correr atrás, me humilhar e cometer o mesmo erro. Não sei até que ponto cederia em função do outro.

Se me perguntarem o que tenho de mais importante irei responder sem medo: o amor próprio!

sexta-feira, 1 de agosto de 2008

Vovô e Vovó

Mana, escrevi esse texto quando o vovô faleceu em dezembro. Acho que se aplica a você nesse momento. Coloquei aqui para você como forma de expressar toda a dor que estou sentindo. Queria estar ai com você, mas infelizmente isso não é possível...


Num dia tem-se o sorriso, no outro um vazio.
O dia amanhece ensolarado e anoitece chuvoso.
As flores que se abriram de manhã, de tarde se fecharam.
O suave perfume deixou de ser exalado.
Os corações de alegres ficaram tristes.
As palavras pela primeira vez cessaram, foram trocadas pelo choro.
O soluço foi ouvido.
Só restarão as doces lembranças e as recordações dos momentos felizes.
Um dia o aperto some e o qu era tristeza vira saudade.
Saudade do modo de andar, de gesticular, de brincar, de falar, de amar.
De todas as oportunidades, aproveitadas, de dizer "Eu te amo".
De todas as vezes que esta frase foi ouvida com tanta atenção.
Do colo, sobrou o aconchego; do abraço, o conforto e do beijo, o gosto.
Não houve despedida.
O ponto final não entrou na frase, talvez uma vírgula.
A história teve uma pausa e voltará a ser escrita, futuramente.
Agora o que nos cabe são as revisões.
As releituras de toda uma vida.
Em dezembro o céu ficou mais estrelado e os anjos mais alegres.
Agora o que resta é olhar para o alto e entre tantas estrelas achar aquela especial.
Aquela que olhará pelas pessoas amadas aqui de baixo.
E a responsável por iluminar toda uma caminhada.
Um dia vamos nos encontrar e o céu entrará em festa.
A terra entristecerá.
Mas lá do alto brilharemos juntos e iluminaremos quem ficar.
Porque o amor não morre.
Nunca.

(25.12.2007)

quarta-feira, 30 de julho de 2008

Solteira Sempre... Sozinha Nunca... Namorando... Quem sabe...

Pessoas...

Estava lendo o blog de um amigo quando me deparei com esse post "Eu quero ficar nu diante dos seus olhos... vai ser bom... ficar só é tão ruim". Fui comentar sobre o que ele havia escrito e quando me vi estava praticamente me confessando.

Escrevi assim: “Engraçado que às vezes tenho esse desejo, de ficar nua para alguém, me despir, mostrar realmente quem eu sou e me entregar. Estou solteira há oito meses, não significa que eu esteja sozinha, mas tudo é muito superficial. Ultimamente até os meus sentimentos estão assim: superficiais. Não consigo me aprofundar, me despir. Gostaria de achar alguém bacana, também sou da filosofia de que ficar sozinho é muito ruim. Mas, sinceramente, decidi que quero ser achada. Alguém sério está difícil. Parece que ninguém quer compartilhar os sonhos”.

Há um tempo venho falando que tranquei meu coração com cadeado e joguei a chave fora. Não fiz cópia para não correr o risco de duas pessoas acharem-na. Tem uma perdida por ai... pelo mundo. Não quero me apaixonar, mas... e se alguém achar a que vai abrir meu coração sem resistência? Falar isso pode parecer uma fuga de quem não quer sofrer. Quem me conhece sabe como sou derretida. Não tenho medo de me envolver. Adoro correr riscos! Só quem conhece a si mesmo pode se dar a esse luxo. E eu posso me permitir a isso: gostar da pessoa que está apaixonada por mim ou de não me deixar levar pela que está ao meu lado. Meus pés nunca saem do chão.

Um amigo meu disse que quer namorar, mas está difícil. Confesso que também quero. Odeio ficar sozinha por muito tempo. Ter alguém para cuidar, dar satisfação, dividir o meu dia-a-dia, assistir a um filme deitado no sofá fazendo cafuné e depois dormir de conchinha são coisas que eu adoro. Carência bate em qualquer pessoa solteira. Chega um momento que ficar “na pista” cansa. De que adianta curtir uma noite, se no final vai para casa dormir sozinho? Dormir com uma pessoa que não se tem envolvimento emocional não é a mesma coisa daquela que amamos. O carinho, a conversa, a preocupação... tudo muda. Até as atitudes são mais suaves.

Tem pessoas que não entendem como consigo controlar o meu coração. Simples, não o controlo. O que eu domino é o meu pensamento. Permito-me pensar ou não naquela pessoa; permito-me envolver até onde tenho o controle. Não me deixo iludir com palavras bonitas. De falsas promessas o mundo está cheio! Quero ações! Se me quer, prove! Faça por onde! Não deixo as oportunidades passarem, abro meu coração, me entrego, mas nada é mão única. Confesso que às vezes bate carência. Fui assistir ao filme Jogos de Amor em Las Vegas e bateu aquela vontade de ter uma pessoa ao meu lado para fazer bagunça. Alguém que eu não precise ficar o tempo todo me preocupando se vou agradar ou não. Basta ser eu mesma e pronto. Com minhas infantilidades, manias e brincadeiras. Acabar de jantar e fazer guerrinha de sorvete, antes de dormir fazer uma de travesseiro e tomar banho jogando água e fazendo bolinha de sabão.

Sei que príncipe encantado não existe. Homem perfeito muito menos. O que existe são duas pessoas dispostas a amar. O relacionamento é um exercício diário de conquistar a mesma pessoa todos os dias. Aceitá-la do jeito que é e saber ceder sem perder a sua essência. Não é o que um quer, é o que os dois querem. O casal precisa estar na mesma freqüência, na mesma sintonia. Aceitar os defeitos e mesmo assim amá-la.

Será que é pedir demais alguém assim?

quinta-feira, 24 de julho de 2008

Morte, Saudade, Coragem

Pessoas...

Já tem um tempo que não posto nada. Andei meio enrolada. Hoje abri o Orkut da minha prima e resolvi ver as fotos para matar a saudade da família que mora longe. Para a minha surpresa tinha a foto de uma menina com uma legenda que me chamou a atenção “É tão estranho, os bons morrem jovens Assim parece ser quando me lembro de você Que acabou indo embora, cedo demais [...]Só que você foi embora cedo demais Eu continuo aqui, meu trabalho e meus amigos E me lembro de você em dias assim dia de chuva, dia de sol E o que sinto eu não sei dizer [...]Vai com os anjos, vai em paz Era assim todo dia de tarde, a descoberta da amizade Até a próxima vez, é tão estranho Os bons morrem antes Me lembro de você e de tanta gente Que se foi cedo demais E cedo demais eu aprendi a ter tudo que sempre quis Só não aprendi a perder E eu, que tive um começo feliz Do resto eu não sei dizer Lembro das tardes que passamos juntos Não é sempre, mas eu sei Que você está bem agora Só que este ano o verão acabou Cedo demais....”

Foi impossível não lembrar das pessoas que eu também perdi... cedo demais. Algumas fazem muita falta, outras aprendi a conviver sem a presença física. A Thaís é a pessoa que mais lamento ter partido. Era mais que uma amiga, uma irmã. Dividíamos tudo! De segunda a sexta era a escola e os segredinhos; os finais de semana era a bagunça e os passeios. No dia que ela partiu lembro-me de chegar à capela, seu pai ter me abraçado e ter me perguntado o porquê da sua filha. Queria saber o motivo também. Ali não era eu, tio Marcus, tia Solange e Ana, éramos uma família. Nunca fui tratada como uma amiga, mas como uma Copelli. Na minha casa, ela não era mais uma amiguinha de escola. Era tão amada que minha irmã quando nasceu, dois anos depois do acidente, recebeu seu nome. Um pedaço do meu coração foi embora com ela.

A morte sempre se fez presente. Imagina como seria o mundo se ninguém falecesse? Mas as pessoas boas deveriam morrer tarde, dormindo em suas camas quentinhas e sem dor. A morte é muito dolorida para quem fica. A saudade, as recordações, os lugares, tudo pesa. O ser humano não sabe lidar com perdas e eu, confesso, também não sei. Ano passado fiquei seis meses cuidando do meu avô. Quantas vezes chorei ao lado de seu leito, vendo-o em coma e sem poder fazer nada. Dizia que o amava, mas a minha situação era de total impotência. Queria levá-lo para casa, tirá-lo dali, fechar cada escara. Eu não sabia que tinha tanta força. Eu conseguia fazê-lo sorrir sabendo que no fundo ele estava chorando... e eu também. Tudo era feito de pequenos momentos. Passear no hospital de cadeira de roda; colocar meu óculos escuros nele e brincar falando que ele iria pra rave comigo; chamá-lo de cachorrão e fingir que eu era a sua onça pintada; dar banho brincando de jogar água um no outro. Tentávamos mascarar uma situação insuportável. Ele sabia que era duro eu ir toda hora ao hospital e eu sabia o quanto ele não desejaria estar ali. Ele era o mais querido, porque lutava para viver. Não perdia a alegria. Quando recebemos a notícia de que ele tinha partido, fomos no CTI pegar a documentação e a equipe média estava enfileirada na entrada, todos chorando. Não tinha uma só pessoa que não estivesse com lágrimas nos olhos. A dor de perder um paciente tão velhinho, carinhoso, com tanta garra e tão carismático deu tristeza.. Não se sentia rebelde, brincava com todos e se esforçava. Quando entrou em coma natural, os médicos falaram que não tinha mais jeito. Ficamos arrasados. Mas três dias depois ele acordou e começou a bater palmas chamando o pessoal. Ninguém conseguiu acreditar naquela cena e a gente também não. Quando eu partir vou puxar a orelha do meu cachorrão, porque descansou e nem me levou para brincar com as cotias na Quinta da Boa Vista. Ele me levava lá quando eu era pequena, mas prometeu voltar lá comigo... essa dívida vai ficar pendente.

Às vezes fico personificando a morte. Ora é super animada, ora extremamente depressiva. Tem hora que a morte é bem-vinda, porque acaba o sofrimento do doente e o desgaste emocional da família, mas tem horas que ela é tão injusta. Leva com ela crianças e jovens. Tem gente que também não se cuida, procura-a. Beber e dirigir, correr de carro, não respeitar a sinalização, drogar até ter uma overdose, transar sem camisinha e acabar pegando uma doença sexualmente transmissível. Imagina o trabalho que ela tem! Deve ser exaustivo levar os enfermos e os que fazem arte por ai. Penso na vida também. Essas duas têm muito trabalho. São únicas, ninguém pode dividir o trabalho com elas. Quantos morrem e nascem por minuto no mundo?

Uma provoca o choro e a outra o riso... se completam de alguma forma...

sexta-feira, 4 de julho de 2008

Um dia desses.....



Pessoas...


O dia amanheceu chuvoso. O tom cinza predomina numa cidade que geralmente é colorida. Estava acostumada a ir trabalhar e observar o marrom do morro, o verde da grama, as diferentes cores de prédios e casas, as roupas alegres. O clima esfria e as pessoas parecem tirar dos armários as cores mais sóbrias. Um desfile de moda no qual o preto reina absoluto. Tudo fica tão escuro...

Os cariocas desconhecem o frio. Cidade litorânea, cheia de surfistas em suas praias, corpos esculturais nas areias, ciclovia lotada de manhã, gente caminhando pela tarde, tomando um drink nos quiosques à noite, boates cheias de segunda a segunda. O Rio de Janeiro nunca pára! E na chuva? E no frio? Bares vazios, restaurantes com movimento diminuído. O que vale mesmo é ficar em casa assistindo a um DVD embaixo de um bom cobertor (de preferência acompanhado) e depois dormir de conchinha.

Eu amo o inverno europeu. Em determinadas cidades não nevam e sol dá o ar de sua graça pela manhã. O frio é intenso. Impossível sair sem sobretudo, cachecol, luva. Mas há um desfile de cores pelas ruas. Os raios solares ainda possuem a obrigação de ressaltar cada vermelho, rosa, amarelo, azul. O sóbrio não existe. Mesmo no branco da neve as cores ganham vida, se destacam.

A sensação que eu tenho é de que as horas se arrastam ao longo do dia. Que por mais que você faça mil coisas os minutos ficam estacionados. Eu me perco nessa monotonia. As cores monocromáticas, as pessoas quietas, tudo parece tão estático e eu querendo sempre algo mais. Ver algum amigo, me perder nas conversas, agitar os ponteiros das horas. Não sei se preciso acalmar o meu ritmo. A ânsia de querer aproveitar cada segundo, recuperar o tempo perdido não me permitem ficar quieta. Ficar estacionada pensando em quê? Esperar a depressão bater? Sentir-me sozinha e inútil? Quero mais é conhecer pessoas, me sentir querida!!!

Confesso que esse friozinho bate uma carência enorme, mas não vou ter recaídas. Estou super feliz sozinha, curtindo a vida e a liberdade de ir para onde o vento me levar. Não ter que ficar dando satisfação, justificativa pra ninguém. A minha palavra ultimamente tem sido “vamos”. Não importa se é pagode, baile funk, barzinho, boate, o que está importando são as companhias. Qualquer lugar está valendo à pena se eu estiver com as pessoas certas. E, sinceramente, eu amo todos que estão a minha volta.

O que eu mais amei nesses últimos meses foi ter reencontrado um ex-namorado meu. Não o via desde 2002 quando terminamos. Continua a mesma figura e, por incrível que pareça, a sensação que eu tenho é de que nunca nos afastamos. O amor é algo engraçado. Eu o amo da forma mais pura que existe, é um amigo que eu quero ter para sempre. O mais legal é que todos os amigos e primos dele que andavam com a gente na época que namorávamos estão saindo com a gente. Juntamos os amigos dele com as minhas amigas e formamos um grupo super animado. Não tem tristeza. Nem lugar longe. Pegamos estrada às 22h de uma sexta-feira só para curtir uma noite em Petrópolis.

Conheci duas meninas também que se tornaram companhias indispensáveis. Sabe essas pessoas que a empatia acontece na hora? Então... foi assim... nos olhamos e ponto! No dia seguinte já estávamos trocando confidencias. As amizades podem nascer nos lugares mais improváveis, nas situações mais hilárias. Sei que as quero por perto sempre. Você sabe quando a amizade vai ser passageira e quando vai ser pra sempre. Rimos, choramos, trocamos confidencias, informações... amizade é isso. Ainda temos muito o que descobrir uma da outra, mas a confiança foi conquistada, as identificações também. Agora é deixar o amor prevalecer sobre os defeitos.


Pode estar caindo um temporal lá fora, mas aqui dentro, no meu coração, o sol está brilhando.


segunda-feira, 23 de junho de 2008

Vida

Pessoas....

Acho que ando inspirada... Será o tempo chuvoso dessa segunda-feira???

Doce ou salgado?
O que você prefere?
O gosto da sua vida
Quem escolhe é você!

Entre o Amargo e o Melado
Fico com o meio termo.
Tudo demais estraga
E tudo de menos também!

Hoje minha vida está assim:
Equilibrada
Coração vazio e uma mente que não pára
Nem de dia.... e nem de noite

Ânsia de curtir
A família, os amigos e os colegas
Vontade de resolver
Situações que ficaram pendentes

Eu sou assim
Ora comédia, ora tragédia
O riso e o drama
Máscaras do teatro que me perseguem.

Chuva ou sol?
Frio ou calor?
Depende do ângulo
Que a gente escolhe ver!

quinta-feira, 19 de junho de 2008

Palavras ao vento...

Pessoas...

Resolvi escrever uma poesia. Não sou nenhum Drummond, Ferreir Gullar, Clarice Lispector, Fernando Pessoa, Camões, mas dá para o "gasto".

Espero que gostem!!!


Pra você...
Renata Ferretti

Palavras....
Quando proferidas com rancor, cortam, ferem
Não há pedido de desculpa que apague a mágoa que fica.
Pensar antes de falar é o que recomendam
Mas e numa discussão?
A cabeça esquenta e os pensamentos atropelam a fala.

Há palavras que voam com o vento.
Se perdem entre as casas, árvores, pessoas
Misturam com outras falas
E perdem o seu sentido, o seu valor
Palavras proferidas não tem volta
Não se pode apagar.

Quero palavras proferidas com amor
Que façam a diferença em meu coração
Palavras doces que aquecem o meu pensar
Salgadas que enobrecem a alma
Me fazem crescer e voar.
Com elas amadurecer!

Quero ouvir palavras duras
Que me tragam à realidade
Viajo em meus pensamentos
Me perco na imaginação
Preciso de alguém que me puxe
Para perto...

Determinadas palavras enobrecem
Outras fazem voar
Há palavras que confundem com seus duplos sentidos
E quando trata de coração?
Alguém fala uma coisa e você entende outra?
A linguagem do amor é complicada!
Precisa de tradução!

quarta-feira, 18 de junho de 2008

Resposta a um amigo

Pessoas...

Resolvi escrever sobre o comentário que um amigo meu deixou no post “Amor versus Amizade”. Sei que algumas pessoas não entendem a nossa ligação, a nossa amizade, o amor que sentimos um pelo outro. Ele é essencial em minha vida e não saberia viver sem tê-lo por perto, ao meu lado. Não tive como não vestir a carapuça com tudo o que ele escreveu.

Durante muitos anos ele se manteve em silêncio. Pra quê arriscar? Se expuser e de repente vir a perder o porto seguro que ele tinha? Sempre fomos a estabilidade um do outro. Compartilhamos segredos, problemas, alegrias. O diário um do outro, trancado com as chaves do amor e da amizade. Por que colocar em jogo tudo isso ao dizer que o sentimento tinha se transformado? Como a pessoa iria reagir ao ouvir isso? E a amizade? E o porto seguro? E a estabilidade que um proporcionava ao outro?

Um dia esse meu amigo leu uma frase: “Você perde 100% de tudo o que você não tenta. Ou seja, na dúvida, arrisque”. E ele arriscou! Expôs-se, falou dos seus sentimentos, das suas expectativas e do que esperava. Infelizmente, eu não pude corresponder à altura a todo esse amor. Juro que gostaria. Eu seria a mulher mais feliz do mundo e com o homem perfeito pra mim. Ele é tudo o que eu busco, mas nem sempre o coração obedece a nossa cabeça. Queria ser apaixonada por ele, amá-lo da mesma forma pura e sincera que sou amada.

A amizade dele é tão importante que me impossibilita de vir a sentir algo mais forte e acabar perdendo-o por inteiro. Eu não correria o risco de perder o amigo. Se por ventura algum dia eu vir a amá-lo e por alguma razão o nosso relacionamento não der certo, a amizade seria a mesma? Eu continuaria tendo o meu porto seguro? Ele continuaria tendo a estabilidade que ele tem? Não suportaria uma separação. Ele vale mais do que qualquer risco. Prefiro tê-lo ao meu lado como amigo do que não tê-lo por perto.

Ele sofre. Eu sofro. Ele arrisca. Eu pondero. Lidar com amor entre amigos é complicado. Não fico com ninguém na frente dele. Respeito. Conto tudo, não tenho medo de me despir. Fico nua em relação a quem sou, ao meu modo de pensar. Não tenho medo de mostrar minhas qualidades e meus defeitos. Não faço média. Ele me aceita assim: estabanada, extrovertida, hiperativa, teimosa, cabeça dura, chorona, carinhosa, amorosa. E eu o aceito da forma que ele é: engraçado, carinhoso, elétrico, melancólico, grosso, firme em suas atitudes, cabeça dura, teimoso, amigo, fiel, companheiro, prestativo e amoroso. Quando estou triste, nunca resisti em procurá-lo. Quando precisei de um ombro amigo, lá estava ele me oferecendo não só os dois, mas os braços também. Quantas vezes chorei em seu colo devido a alguma desilusão amorosa. E ele nunca me cobrou. Nunca falou mal de nenhum namorado meu. Respeitou. Manteve em silêncio e não se afastou. Apesar de qualquer coisa, sempre priorizou a amizade.

Ele sabe o quanto o amo, o quanto é importante em minha vida. Quando brigamos eu sempre sou a primeira a ligar, chorando. Pedindo para não me deixar. A nossa relação é discutida, transparente. Não temos bloqueio um com o outro, falamos dos nossos sentimentos. Eu sei o que ele quer e ele sabe o que eu penso. Eu nunca o iludi e ele nunca se afastou. Eu nunca menti e ele também não. A confiança nos une. A sinceridade reforça a vontade de estarmos juntos. A certeza que tenho hoje? Que eu o quero pra sempre ao meu lado como amigo ou como amor.

Aprendemos a lidar com a situação e com os nossos sentimentos contrários. Ele com a vontade de ficar comigo e eu com o desejo de amá-lo.

Obrigada por tudo!!!

Te amo muito!!!

Beijos no seu coração!!!




O comentário que ele deixou:

"Houve um tempo em que a vida era formada por dúvidas e temores, em que não se valia a pena arriscar, mudar, fazer algo diferente. A estabilidade, o porto seguro sempre falou mais alto. Ai um dia eu acabei lendo uma frase, que mudou bastante a maneira de eu ver o mundo, me fezeu pôr muitos "poreins" de lado e passou a pautar a maneira como eu enxergo as coisas desde então. A frase era: Você perde 100% de tudo o que você não tenta. Ou seja, na dúvida, arrisque. Como dizem, se o que você faz hoje não da certo, faça qualquer coisa diferente do que você esta fazendo, não importa o quê.Amizades se perdem e se criam por motivos mais diversos, e o amor nunca foi e nunca será motivo pra acabar com alguma coisa. E se foi motivo, é porque não era amor".

sexta-feira, 13 de junho de 2008

Infância

Pessoas...

Estava refletindo sobre a infância que tive e a que as crianças têm atualmente. Lembro-me de brincar até tarde na rua. Era Futebol, Vôlei, Taco, Bolinha de Gude, Queimado, Pique-Bandeira. Descia a ladeira de patins. Não tinha medo de me machucar. Aliás, perdi a contas de quantas vezes imobilizei algum membro devido a fraturas, torções, fissuras. A bagunça era maior que qualquer chororô. Se o tempo estava chuvoso, a galera se reunia lá em casa para um filme, jogar no computador, montar um quebra-cabeça, jogar conversa fora e até roubar na salada mista. Se estivesse sol, nada melhor do que um banho de piscina depois de andar de bicicleta. Os lanches estavam garantidos, assim como as partidas de ping-pong e totó no quintal.

Eu tinha vídeo-game, mas nunca liguei. Não tinha graça ficar sentado em frente a uma televisão tentando zerar o Sonic, Alex Kid ou Super Mário Brós. A vida tinha mais aventura. Dia de São Cosme e Damião era o melhor. Apesar, de eu não comer doce, correr atrás deles era o mais divertido. Aquelas crianças todas correndo pelas ruas, contando quem tinha conseguido mais saquinhos, separando os doces que mais gostava. Dia das Crianças e Natal, nem se fala. No dia seguinte, cedinho, lá estávamos todos nós, amigos, reunidos para mostrar o que ganhamos, trocar os brinquedos e inventar mil brincadeiras. Mesmo que tivesse que conciliar a Barbie com uma super nave dos Comandos em Ação. Cabia a imaginação criar esse elo. E imaginação não faltava....

Vejo as crianças crescerem trancadas em seus quartos, brincando com seus vídeos-game e notebooks. Brincadeiras? Só no intervalo na escola! A rua está extremamente perigosa. Meninas e meninos de seis anos já têm até celular. A mãe fica preocupada, liga, porque quer ter certeza que o filho chegou são e salvo à escola. Quando eu era criança, nem celular existia! A rua passava carro, mas, por alguma razão, as mães de antigamente sabiam que seus filhos sabiam se cuidar. De noite chegávamos a casa suados, com os pés pretos de tanto correr e tomávamos aquele banho. A blusa mudava de cor! E os aniversários? Se não tivesse a ovada com farinha não podia dizer que a pessoa fez anos. As comemorações começavam cedo. O ovo ficava enterrado uma semana para ter certeza de que estava podre, tinha que feder muito e ter de usar muito shampoo para tirar o cheiro depois.

Conversar na rua era bem mais interessante do que ao telefone. Nem precisava marcar, todo mundo sabia aonde iria se encontrar. As festas então... qualquer motivo, por mais banal que fosse, valia uma comemoração. Aniversário, festa junina, festa americana, festa na piscina... as mães sabiam que nas festinhas o máximo que iria acontecer era uma azaração. Nada além disso. Até poderia rolar uma salada mista, mas era tudo combinado. Escolhíamos quem queríamos beijar! Lembro-me que inventávamos até frutas para a brincadeira ficar mais divertida.

E na escola? No final da aula íamos todos na barraquinha comprar chicletes, balas, adesivos. Pirocóptero, Mini Chiclete Adams, Big Big, cada doce com nome engraçado! O intervalo voava diante da quantidade de fofocas. Na maioria das vezes era para falar de meninos, mas também falar mal das meninas que a gente não gostava. E as reuniões para trabalho em grupo? O trabalho poderia precisa de um encontro só, mas o nosso precisava de pelo menos uns três sempre. Os namoros na porta eram os melhores! Ninguém tinha preocupação, ninguém estava preocupado se iria durar muito, não tinha cobrança. Ciúme existia, mas da “galinha” da escola. Tem sempre uma menina foguenta para nos dar dor-de-cabeça! O cinema era tão gostoso nessa fase, estudar junto pra prova então... nem se fala! Passar cola pelo pé e deixar o professor com cara de bobo não tinha preço!

Se conselho fosse bom ninguém daria, venderia, mas... crianças.... aproveitem ao máximo essas fases da vida chamadas de infância e adolescência!

domingo, 8 de junho de 2008

Amor versus Amizade

Pessoas....

Como de costume fui ao cinema com minha amiga-irmã. Ultimamente ela tem sido até mais irmã que amiga. Dividimos tudo, quando falo tudo, é tudo mesmo! Como domingo é um dia morto, de fazer programações lights fomos assistir “O melhor amigo da noiva”. Mais uma dessas comédias hollywoodianas água com açúcar. Ele segue a linha do “Casamento do meu melhor amigo”, mas com os papéis invertidos. No que eu assisti hoje, é o homem quem vai lutar pelo amor de sua amiga após dez anos de amizade, enquanto que no outro é a personagem da Julia Roberts quem vai correr atrás do prejuízo. Os finais são diferentes, mas a temática é a mesma: amor entre amigos.


Quem nunca se apaixonou pela pessoa que está sempre ao seu lado? A probabilidade de você se apaixonar por um amigo é enorme, pois conhece todos os seus defeitos e qualidades, compartilha os momentos mais importantes, divide os mais tristes, conversa sobre o dia-a-dia, conhece todos os gostos, hábitos e manias. Amigos são pessoas constantes em nossa vida e, por isso mesmo, não o enxergamos com outros olhos. Estamos acostumados com aquela presença. Quando alguém pergunta, a resposta é sempre a mesma: “Ele? É meu amigo!”. O ruim é que às vezes só nos damos conta de que aquela pessoa é a perfeita pra gente quando a perdemos de alguma forma.

O problema é justamente revelar ao outro que o sentimento evoluiu de amizade para amor. As inseguranças aparecem, o medo brota e as dúvidas bombardeiam o nosso pensamento. E se o amigo não corresponder aos nossos sentimentos? Será que vale a pena correr o risco de se expor e acabar perdendo uma amizade? E se rolar de ficar um dia e depois nada? Fica a ilusão? A esperança de um dia ficarem juntos? Essa é uma situação realmente delicada. Nem sempre a arte imita a vida real. Nem sempre o “ viveram felizes para sempre” acontece fora das telas. Eu realmente prefiro abrir mão de um sentimento mais forte a perder a amizade de um amigo, mas cada um tem um modo de pensar. Eu só correria o risco se tivesse a certeza de ser correspondida.

Já me apaixonei perdidamente por um amigo. Corri atrás, chorei, ri, beijei muito, mas não tive um happy end. A amizade acabou prevalecendo. O ruim de se apaixonar por um amigo é a força que você tem que ter depois. Vê-lo com outras meninas, ouvi-lo contar que está namorando e olhá-lo como um irmão são coisas que doem. Amigos que são amigos se falam sempre, dividem o cotidiano, adivinham gostos, dividem sobremesas. O pior de tudo é sofrer calado, em silêncio, buscar forças não sabe de onde, se erguer e seguir em frente. E quando acontece ao contrário? A certeza de saber que o seu amigo é o homem de sua vida e não conseguir amá-lo? Ouvi-lo falar que te ama e você não conseguir corresponder a altura? As privações que você faz em prol da amizade? Perder a amizade então... é pior ainda! No peito fica um buraco tão grande que parece que vai engolir o seu corpo por inteiro. Parece que o seu caminho parou num precipício e você tem que escolher entre admirar a paisagem ou pular e ser engolido.

Resolvi colocar abaixo uma música que eu considero perfeita em relação a esse assunto.

Pensando em Você
Babado Novo
Composição: Henrique Cerqueira / Claudinha Leitte

Estava satisfeita em te ter como amigo.
Mas o que será, que aconteceu comigo?
Aonde foi que eu errei?
Às vezes me pergunto se eu não entendi errado.
Grande amizade com estar apaixonado.
Se for só isso logo vai passar
Mas quando toca o telefone, será você?
O que eu estiver fazendo eu paro de fazer.
E se fica muito tempo sem me ligar.
Arranjo uma desculpa pra te procurar.
Que tola, mas eu não consigo evitar.
Porque eu só vivo pensando em você.
É sem querer, você não sai da minha cabeça mais.
Eu só vivo acordada a sonhar.
Imaginar nós dois.
Às vezes penso ser um sonho impossível.
Uma ilusão terrível será?
Eu já pedi tanto em oração.
Que as portas do seu coração.
Se abrissem pra eu te conquistar.
Mas que seja feita a vontade de Deus.
Se Ele quiser, então, não importa quando, onde.
Como eu vou ter teu coração.
Faço tudo pra chamar sua atenção.
De vez em quando eu meto os pés pelas mãos.
Engulo a seco um ciúme.
Quando outra apaixonada quer tirar de mim sua atenção.
Coração apaixonado é bobo.
Um sorriso teu e eu me derreto toda.
O seu charme, seu olhar.
Sua fala mansa me faz delirar.
Mas quanta coisa aconteceu e foi dita.
Qualquer mínimo detalhe era pista.
Coisas que ficaram para trás.
Coisas que você nem lembra mais.
Mas eu guardo tudo aqui no meu peito.
Tanto tempo estudando seu jeito.
Tanto tempo esperando uma chance.
Sonhei tanto com esse romance.
Que tola, mas eu não consigo evitar.
Porque eu só vivo pensando em você.
É sem querer, você não sai da minha cabeça mais.
Eu só vivo acordado a sonhar.Imaginar nós dois.
Às vezes penso ser um sonho impossível.
Uma ilusão terrível será?
Eu já pedi tanto em oração.
Que as portas do seu coração.
Se abrissem pra eu te conquistar.
Mas que seja feita a vontade de Deus.
Se ele quiser, então, não importa quando, onde.
Como eu vou ter teu coração!

quinta-feira, 29 de maio de 2008

My Blueberry Nights


Pessoas....

Fui ao cinema, há umas semanas atrás, assistir ao filme “My Blueberry Nights”, que por aqui ganhou o título “Um beijo roubado”. Para muitos, pode ser apenas mais um, mas é só aceitar o convite da Martha Medeiros (artigo publicado na Revista O Globo de domingo – 25/05/08) de assisti-lo com um olhar poético para percebermos que o que está na nossa frente nada mais é que a nossa vida. Fica a sensação de que pode acontecer com a gente a qualquer momento. A fotografia é simples, não vai além do que está a nossa volta. Os efeitos especiais hollywoodianos passam longe. Este é o primeiro filme em inglês do cineasta chinês Wong Kar-wai (Amor à Flor da Pele) e apesar de ter sido rodado nos Estados Unidos, nada lembra o glamour do país. Os ambientes escuros e fechados destacam ainda mais a solidão e nos aproxima ainda mais dos personagens.

Desilusões amorosas acontecem diariamente e não há lugar melhor para chorar as mágoas do que numa mesa de bar. Os homens tomam um chopp e as mulheres desabafam com as amigas. Neste ambiente pode-se observar os contrastes entre a tristeza pela perda de um amor e a confraternização dos amigos. Uns choram e outros riem. Assim acontece com Elizabeth (Norah Jones) após perder o seu namorado. Jeremy (Jude Law), dono de um bar, conhece os clientes pelo que consomem e guarda as chaves deixadas por eles. A sua, inclusive, está no pote. Elizabeth saboreia pedaços da torta de mirtilo (blueberry), divide a sua dor com ele, dorme no balcão e também deixa as chaves antes de ir percorrer o país.

As chaves vão ficando caídas, esquecidas em algum canto. Algumas abrem o coração, a casa, a vida a dois. Outras fecham as mesmas portas e procuram outras para abrir. Aos poucos as coisas vão deixando de pertencer ao presente e passam a fazer parte do passado. Há uma vida pela frente, uma nova, a ser explorada, descoberta. No inesperado pode surgir o inexplicável. No lugar mais improvável pode surgir a pessoa que irá te acompanhar por toda uma vida. Nessas andanças Elizabeth acaba conhecendo pessoas vazias, com problemas semelhantes como o policial (David Strathairn) apaixonado pela sua ex-mulher (Rachel Weisz) e uma impulsiva Leslie (Natalie Portman). Quantas pessoas assim não cruzam o nosso caminho?

O filme tem vários pontos interessantes a serem questionados. Quem nunca chorou por amor? Faz parte das relações humanas! O homem não tem a capacidade de controlar os seus sentimentos, pois a paixão pode surgir numa simples troca de olhar. Mas acredito que podemos controlar o pensamento. Iludir-se é uma opção! Segundo uma frase da música “Uma criança com o seu olhar” (Charlie Brown Jr), nossas escolhas vão dizer pra onde iremos. A minha escolha é a felicidade. Entre a tristeza e a alegria, com certeza fico com a segunda alternativa. Não me permito sofrer por mais de dois dias. A vida é curta demais para dar valor a dor. Se tomei uma decisão, ela foi pensada e repensada. Não foi no impulso, então não tenho o que lamentar. Foi uma escolha que eu fiz. Eu mando nos meus pensamentos! Se tem momentos que eu me deixo envolver? Com certeza, mas eu sei até onde ir. Compreendo que há situações que estamos mais suscetíveis a isso, mais propícios a nos deixar envolver. Às vezes até por carência. Sou contra traição, até porque ninguém é obrigado a ficar com ninguém e se você sente desejo, vontade por outra pessoa quer dizer que a que está ao seu lado não satisfaz mais. È melhor manter uma amizade a mentir e ganhar a indiferença.

A meu ver, às vezes sumir, mudar de ares vale muito. Conhecer pessoas novas, trocar experiências serve para se reciclar e favorecer o autoconhecimento. Segundo o artigo da Martha Medeiros, quanto mais nos relacionamos com os outros, mais conhecemos a nós mesmos, e é uma boa surpresa descobrir que, afinal, gostamos de quem a gente é, e quando isso acontece fica mais fácil voltar ao nosso local de origem, onde tudo começou. O tempo é um aliado nessas situações. Ele tem a capacidade de curar as feridas, acalmar as situações e acalentar os corações. Tem uma passagem de Jeremy que ele fala que quando pequeno sua mãe ensinou que, ao se perder, o melhor não era ficar ziguezagueando, mas sim manter-se no mesmo lugar porque era mais fácil de ser achado. A meu ver, ficar estático esperando alguém te encontrar ou a felicidade bater a sua porta não está com nada. Acredito no destino. Se tivermos que ficar com essa pessoa, não importa o lugar, a situação porque vamos reencontrá-la e a felicidade é um estado de espírito. Se ficar estático, a vida não anda e as energias acabam não sendo renovadas.

Vou encerrar com as palavras que a Martha Medeiros iniciou o seu artigo: É sobre o quê, esse filme? Sobre absolutamente nada, a não ser a vida, essa que passa pela nossa janela sem roteiro, sem diálogos geniais, simplesmente a vida que nos convida: vai ou fica?

segunda-feira, 19 de maio de 2008

Fazer uma faxina!!!

Pessoas...

Resolvi fazer uma faxina na minha vida. Varri as mágoas para debaixo do tapete; as tristezas joguei no lixo; tirei o pó que cobria a alegria e deixei o amor entrar com o amanhecer. Os amigos estão no lugar onde exponho as coisas que considero essenciais. Minha família está no mesmo lugar. Estão presentes em quadros, porta-retratos, cartas. As pessoas que valem a pena ser lembradas estão lá, cada uma com uma legenda. Não as quero esquecer jamais! As que já partiram ou se tornaram estrelas ou se tornaram anjos. As estrelinhas iluminam os meus caminhos, clareiam as minhas idéias; os anjinhos me protegem nesse mundo louco e me guiam para um lugar seguro. São parentes e amigos, mas não é porque estão no céu que deixaram de ser indispensáveis à minha vida.

Resolvi reorganizar, no coração, meus sentimentos. A Amizade ocupou quase duas gavetas: Amigos fiéis e leais, daqueles que a gente pode se despir sem receio; os de night, que se tornam companhias indispensáveis para rir, falar besteira, dançar, zuar; os momentâneos, que foram importantes em determinado momento, mas que o contato não se faz mais presente e os que estão longe, mas que não deixam de ser menos amigos por isso. A Alegria, sempre metida, ocupou umas três gavetas. Quis monopolizar o Coração! Foram tantos os momentos felizes que era injusto deixarem-nos espremidos. O Amor foi o que ocupou mais espaço. São tantos tipos de amores... A família ficou com um monte de gavetas. Pais, irmãs, avós, dindos, dindas, primos, primas, tios, tias,.... Os amigos-irmãos ocuparam uma gavetinha. São penetras que saíram da Amizade e “invadiram” a do Amor. Os amores de homem e mulher ocuparam outras. Papai do Céu sempre foi muito legal comigo e não tenho o que reclamar dos meus ex-namorados. Falo com muitos deles. Cada um foi importante de alguma forma. Todos foram amados e me amaram do seu jeito. Esses eu guardo com muito amor, afinal ajudaram no meu amadurecimento. O legal é que apesar das discussões, aborrecimentos, não me fizeram desistir de amar. Não foram desilusões! A última gavetinha está a Saudade. Essa ai é tão atrevida que chega a doer o peito. Vive passeando e pulando de uma gaveta para a outra, afinal amigos, parentes e amores deixam saudades. Quem ocupa a maior parte da gaveta são os momentos maravilhosos que não voltam mais. Nights inesquecíveis, aquela bronca surreal na escola, a primeira vez que comprei meu lanche na escola, o meu primeiro beijo, o meu primeiro zero numa prova, as vezes que quebrei algum membro do meu corpo por estar fazendo arte, as brincadeiras na rua, os namoricos na porta de casa e da escola, o primeiro lugar na competição da natação, os torneios de patins em São Lourenço e as Olimpíadas do colégio; fora as bagunças em casa como festas, churrasco associado a um banho de piscina e as brincadeiras de criança. Esses momentos, por mais que eu queira, não voltam. E , às vezes, dão aquela espetadinha no coração. Só vou poder rever parte disso quando os meus filhos nascerem.

Agora que o pó está tirado, a sujeira varrida, as dores esquecidas, as mágoas escondidas e as
gavetas arrumadas posso ir dormir tranqüila.

quarta-feira, 14 de maio de 2008

Para uma irmã...

Minha amiga-irmã me escreveu esse texto e eu nem tive como não postá-lo. A saudade que eu sinto e a falta que ela me faz são insuportáveis. Chega a doer. Estava acostumada com uma pessoa ao meu lado diariamente, uma pessoa que eu não sentia medo de ser quem eu sou. As mudanças, infatilidades, inseguranças, medos, dúvidas, amores, enfim, podia me despir que ela aceitava a minha amizade, meus defeitos.

Amizade é o amor. Um amor de irmão, puro, verdadeiro. Para um amigo não existe limite, sacrifícios. O esforço é compensado com um sorriso e as "furadas" se tornam gargalhadas. Quem nunca fez um programa de índio por simplesmente acompanhar aquele que você chama de irmão?

Essa minha amiga-irmã já aturou muita coisa. Já passamos váááários momentos cômicos como alface no dente em plena faculdade, uma senhora pagar as nossas passagens de ônibus porque o trocador não tinha troco para nos dar, várias partidas de buraco à tarde e forró à noite, bebedeiras, tombos, gatinhos, comprar um empadão inteiro e comê-lo sem se preocupar se isso vai lhe render uns 10 quilos a mais. Mas já choramos muito juntas também. Decepções amorosas, dúvidas, desentendimentos e falecimentos...

Segue abaixo o texto na íntegra - Mariana Domingues ou simplesmente Mari



"Cada dia que passa, cada foto postada no orkut dos meus amigos sinto como se cada pedaço da minha vida fizesse mais sentido. Como é bom saber que conhecemos pessoas que de alguma forma farão parte da nossa vida pra sempre. Como é bom saber que nunca estará sozinha....sempre terá um pra te perturbar, derramar café na tua calça, perguntar se tem alface no dente, fazer gestos obscenos com o bicho de pelúcia que acabou de ganhar da sua melhor amiga. Como é bom saber que de alguma forma somos parte de suas vidas.
A saudades que sinto não cabe mais em mim.
Em pouco tempo de convivência a intimidade criada é algo que não tem preço, não tem explicação. Apenas tem que ser. Apenas temos que ter certeza que em algum momento isso iria acontecer, não importando o que façamos pelo contrário. É a típica lei de Murphy, mas neste caso ela é muito bem-vinda.
Sempre falo que ela me escreve um livro de memórias enquanto eu só faço uso de suas palavras, mas hoje me valerei de seu emprenho em escrever....porque tudo isso diz respeito a um pedaço da minha existência. Uma fração muito importante da minha vida e que tenho a honra de dividir com essas pessoas. Uma família que me escolheu entre tantos outros amigos, que me adotou – quase literalmente – e até broncas levei de minha “mãe” por chegar às 7 da manhã em casa. Esse tipo de amor não se conquista, apenas se aceita. É um amor puro, fraternal, que força nenhuma no mundo pode destruir. Nem a morte.
Agradeço a essa minha família sempre que posso por tudo o que fizeram por mim. Não pararei de agradecer nunca.
Vivo eternamente dividida entre a vontade de voltar e o dever de ficar. Quem sabe quando o dever terminar eu consiga realizar minha vontade.
Saudades sempre!
Beijo!!!"

sexta-feira, 2 de maio de 2008

Preconceito

Pessoas....

Depois de alguns dias sem escrever, resolvi tratar de um assunto que ainda gera muito preconceito: a homossexualidade. Confesso que a primeira vez que vi dois homens se beijando achei estranho, mas depois você acaba aceitando. Lembro-me de estar na casa de duas amigas comemorando o aniversário de um amigo delas quando depois dos parabéns veio o beijo do casal. Aquela imagem chocou. Imagina há dez anos atrás uma criança de uns 13, 14 anos que sempre estudara em colégios católicos presenciar um fato desses. Em casa virou assunto de discussão! Só aprendi que devemos torcer sempre pela felicidade do outro, independente da sua sexualidade.

Não faço a mínima idéia de quando a homossexualidade surgiu, mas estudei em Filosofia que Sócrates se deleitava com seus discípulos. No mundo moderno criaram as categorias de “homossexualidade” e “heterossexualidade”. A partir daí as pessoas passaram a ser classificadas conforme a sua opção sexual. Acredito que atualmente as pessoas defendem a sexualidade. Não importa se me interesso por homens, mulheres ou pelos dois. O que vale são os desejos e vontades. A classificação de homo e hetero aos poucos estão deixando de existir na sociedade contemporânea ou pós-moderna. Quantas vezes lemos no jornal que fulano declarou que é bissexual? Que uma atriz famosa terminou um relacionamento longo com uma mulher e atualmente está namorando um homem? Que outra celebridade homossexual assumiu que quer relações com um homem agora? São opções de cada um e precisamos respeitar sempre!

Atualmente, para muitos, o sexo ainda é tratado como tabu. Existem pessoas que não falam sobre esse assunto em casa, com amigas (os) e nem mesmo com o (a) parceiro (a). Uma relação precisa ser baseada na confiança, na verdade e é importante o outro saber do que você gosta. Ninguém tem bola de cristal para adivinhar. É preciso conversar para rolar uma coisa legal. Essa relação precisa existir independente da sua opção sexual. E as mulheres vêm cada vez mais assustando os homens com relação a isso. Elas estão expondo mais suas opiniões e preferências. Estão cada vez mais buscando o seu espaço, seja na sociedade ou num relacionamento. O mundo se desenvolveu numa sociedade machista e é aceitável o homem achar estranho uma mulher ter uma opinião formada sobre o sexo e conversar sobre o assunto sem bloqueios.

Há alguns meses comecei a freqüentar boate GLS devido à música eletrônica. Esse público gosta de eletro e, particularmente, não gosto de boates que no meio da noite começam a tocar funk e axé. Nas boates GLS o maior público é gay, mas não quer dizer que não tenha heteros. Quem nunca foi e pretender ir algum dia, o meu conselho é de se desprender de qualquer preconceito, deixar a descriminação em casa e curtir a noite. Claro que você vai se sentir estranho nos trinta primeiros minutos, se sentindo um peixe fora d’água, mas depois ou você relaxa ou vai embora. Ali é mais provável que você receba uma cantada de alguém do mesmo sexo que o seu do que do oposto. Mas a tranqüilidade e a diversão predominam. Sou capaz de curtir uma noite sozinha sem preocupação.

Esses dias uma amiga viu minhas fotos e me confidenciou que estava tendo envolvimento com outra mulher. Achou que eu fosse brigar e ficar chateada, mas a minha postura fez com que ela ganhasse alguém com quem compartilhar os seus sentimentos e receios. Ela não encontra esse apóio na família. Por mais que queira contar, não aceitariam nunca. Os pais não entendem que deveriam estar ao lado de seus filhos sempre, que a felicidade é que importa. Os outros não têm nada a ver com isso. Não têm de ficar dando palpite.

O conselho que dou sempre é que antes que queiram assumir a sua homossexualidade tenha relação com no mínimo uns três do sexo oposto para ter certeza do que quer. E nunca tome uma atitude como regra. Hoje o seu envolvimento pode ser com uma pessoa do mesmo sexo e amanhã não. Saibamos viver as diferenças!!!

segunda-feira, 14 de abril de 2008

Valores atuais.....

Pessoas...

Semana passada cheguei em casa às 6h da manhã de domingo. Chovia muito. Peguei o jornal, tomei um banho, liguei o computador para baixar as fotos do aniversário que eu acabara de chegar e fui ler a Revista da TV do jornal O Globo. No meio de tantas matérias relacionadas ao meio televisivo uma nota me chamou a atenção. A atriz Demi Moore declarou que usa sanguessugas como tratamento de beleza. O intuito é de eliminar a gordura do sangue. Fiquei me questionando até que ponto as pessoas, principalmente as mulheres, chegam para se enquadrarem num padrão de beleza. Sei que esse assunto é totalmente batido, mas me surpreendi com que são capazes de fazer em prol da aparência.

Cada dia que passa surge uma nova técnica no mercado relacionado à estética. Plásticas, Botox, técnica de preenchimento e agora pode levantar o nariz, esticar rugas e até mesmo o bumbum com um simples fio elástico. O fio búlgaro foi apresentado no V Congresso Mundial de Medicina Estética que aconteceu no Rio de Janeiro no dia 27 de março. A novidade é que a anestesia é local e não precisa de pontos. É uma cirurgia rápida, dura em torno de 15 a 20 minutos e pode variar de R$ 1500 a R$ 6 mil. Fico assustada só de pensar nas futuras técnicas a serem lançadas.
Admito que a minha imagem me preocupa, afinal ela é o meu cartão de visitas. Mas não sou neurótica, não vivo em função de um corpo perfeito. Academia passa longe e não abro mão de comer o que gosto. Aprendi a me controlar e a balancear a comida. Se por ventura num dia eu abusar um pouco mais, no outro fico mais light. E o fato de eu não comer doce já é um ponto a favor. Tenho que admitir, também, que o fato de eu estar bem mais magra me deixou mais segura. Não que antes a minha forma física me incomodasse, mas você passa a ser mais elogiada. Isso faz bem ao ego de qualquer pessoa. Se de um lado tem os elogios, do outro tem as cobranças de manter o peso e de não engordar. Defendo a teoria de que você precisa estar bem consigo mesma. Não adianta emagrecer e depois não se reconhecer no espelho, de fazer uma plástica e perder a sua essência.

Lembro-me de ter visto uma reportagem há alguns anos atrás na TV Globo de uma mulher que, na época, se submeteu a 42 plásticas para ficar parecida com a Barbie. Não precisa ir muito longe, a Ângela Bismarck fez até plástica para repuxar os olhos e parecer uma japonesa durante o desfile da Porto da Pedra, escola na qual é madrinha de bateria. Há uns meses atrás afirmou que voltará a ser virgem graças a mais uma cirurgia para reconstituição do hímem e satisfazer um desejo do marido.

As rugas deveriam ser apreciadas, uma vez que representam toda uma história de vida. Cada fio branco representa uma vitória, uma conquista, mas também tristezas e aborrecimentos. São anos de uma caminhada. Para uns, pesada e dura demais, para outros, cansativa e árdua, mas cheia de gratificações. É tão bonito envelhecer e não ter vergonha de assumir a idade. Quando fiz a exposição de fotografia em preto e branco sobre “A Beleza da Terceira Idade” me convidaram depois para expor em outro lugar. Elogiaram-me justamente pela minha abordagem, pelo meu olhar. As fotos em close acentuavam as expressões e os sorrisos caracterizavam o dever cumprido.

Os padrões não giram somente em torno da beleza. Temos a moda, que exerce uma forte influência no modo de vestir, agir e se comportar. Hoje, a maior referência de beleza é a modelo brasileira Gisele Bündchen. A maioria das mulheres gostaria de ter o corpo, o cabelo, a elegância dela.

O meio artístico lança esses padrões e a sociedade acata. Um exemplo simples, mas que fez a cabeça de muita mulher foi a flor que a Íris, ex-BBB, usava no cabelo. Ela ainda estava no programa quando esse adereço começou a ser comercializado. Acabou virando uma febre e marca registrada da participante do Big Brother Brasil. Uma personalidade que dita moda é a Victoria Beckham. O corte de cabelo, a combinação das roupas, os estilistas. Não é à toa que é considerada uma das mulheres mais bem vestidas do mundo. A sociedade moderna conjuga o verbo ter ao invés do ser. Você é caracterizado pelo que você possui, pelo que veste e não pelo que você é, pela sua inteligência, pelos seus princípios e caráter. A sociedade pós-moderna ou contemporânea conjuga o verbo parece ter, logo parece ser, ou seja, a aparência conta mais do que qualquer outra coisa.

Pode parecer utópico, mas espero que meus filhos e netos cresçam numa sociedade com outros valores, com outros propósitos. Espero, também, poder envelhecer feliz e que no futuro as minhas rugas façam a diferença. Que eu sinta orgulho de cada pé de galinha no canto dos olhos e das minhas mãos enrugadas. Que meus netos apertem as pelanquinhas do meu braço, como faço com a minha avó todos os dias. São essas lembranças que eu vou carregar pra toda vida.

segunda-feira, 31 de março de 2008

Tempo

Pessoas...

Lembro-me que quando eu era pequena o meu sonho era ter 12 anos. Achava essa idade linda e acreditava que eu poderia fazer qualquer coisa como sair com os amigos, andar no banco da frente do carro e namorar. Completei 12 anos e nada mudou. Eu continuava a brincar de bonecas e nem queria saber de namorados. Ah, passei a andar no banco da frente. Quando fiz 15 anos alguém me falou que a minha vida iria voar. Não acreditei. Até ali a minha vida tinha demorado tanto a passar.

Hoje tenho que confessar que a pessoa que me falou isso tinha razão. Depois dos 15 você ocupa sua vida de tal forma que acaba esquecendo de manter a pureza e a calma da infância. O segundo grau surge com a preocupação do Vestibular, depois a Faculdade, o trabalho e quando nos damos conta a vida passou.

Esse ano mal começou e já estamos em abril. As horas estão voando e estamos cada vez mais reféns do tempo. O homem não criou somente o relógio com suas horas, minutos, segundos, centésimos e milésimos de segundos como forma de controlar o tempo. Existe o calendário também. Estamos presos tanto ao passar das horas quanto ao passar dos dias, meses e anos. Ontem estava assistindo ao Fantástico e teve um comentário interessante sobre isso. Tomei a liberdade de copiar o trecho do site. “Você é daqueles que tem tempo de sobra ou vive sem tempo? O tempo para você hoje passou rapidinho ou demorou à beça? Se o tempo é sempre o mesmo, por que a gente vive fazendo estas perguntas? O problema não é o tempo. É o que a gente faz com ele” (
http://fantastico.globo.com/Jornalismo/Fantastico/0,,AA1676978-4005,00.html).

O tempo não perdoa. Pode ser um bom amigo, principalmente quando se trata de perdas, mas pode ser muito cruel para quem está em fase terminal, por exemplo. O primeiro se torna o melhor amigo quando terminamos com alguém que amamos, ajuda a cicatrizar as feridas; e quando alguém querido falece tem a capacidade de fazer com que a dor se torne em saudade e em recordações. O segundo caso é pior. Quantas vezes presenciamos o sofrimento de um ente querido no hospital e não podemos fazer nada? Só visitá-lo e torcer para que diminua a dor e o sofrimento que a pessoa está sentindo. E quando estamos totalmente enrolados precisando entregar um projeto ou um contrato revisado e o tempo não nos favorece? Tudo na vida tem dois lados. Nada é tão bom e nem tão ruim, depende do ponto de vista que escolhemos olhar.

Fico me questionando no dia que eu tiver filho. Conheço pessoas que saíram do trabalho para poder acompanhar o primeiro ano, pois é nesse período que ele faz as primeiras gracinhas, desvenda o “mundo” e começa a emitir os primeiros sons. Dizem que a melhor fase do ser humano. Tem uma frase já batida que diz que precisamos aproveitar cada dia como se fosse o primeiro e o último de nossa vida. Não deixa de ser uma verdade, uma vez que nada retrocede. Não temos tempo de voltar atrás e consertar tudo o que fizemos de errado.

O tempo passa e, na maioria das vezes, quando percebemos deixamos muitas coisas perdidas no passado. As amizades de infância, de colégio, de faculdade que ficaram para trás, justamente por não termos tempo de nutri-las. O dia se torna tão corrido, ainda mais quando se tem filho, que quando nos demos conta já está tarde e precisamos dormir para mais um dia de trabalho. Os laços vão ficando para o segundo plano e com isso surgem barreiras enormes e, às vezes, intransponíveis.

Quero voltar à época de colégio, quando eu não tinha preocupação alguma. Aliás, só uma: estudar para passar de ano. Os namoros na porta da escola não tinham cobranças, a paquera rolava solta. As idas ao cinema, à boate, as reuniões na casa dos amigos. Qualquer situação, por mais insignificante que fosse, era motivo de comemoração, de reunir a galera. Mas... ninguém é Peter Pan para sempre. Crescemos, criamos responsabilidades e o que nos resta é a saudade de um tempo que não volta mais.



SEISCENTOS E SESSENTA E SEIS

A vida é uns deveres que nós trouxemos para fazer em casa.Quando se vê, já são 6 horas: há tempo...Quando se vê, já é 6ªfeira...Quando se vê, passaram 60 anos...Agora, é tarde demais para ser reprovado...E se me dessem - um dia - uma outra oportunidade,eu nem olhava o relógio.seguia sempre, sempre em frente ...

E iria jogando pelo caminho a casca dourada e inútil das horas.

Mario Quintana ( In: Esconderijo do tempo)

sexta-feira, 28 de março de 2008

Dengue

Pessoas....

Eu estava pensando sobre o que eu iria escrever justamente no meu primeiro post. Tantos assuntos.... mas não tenho como me calar diante da Dengue. O Rio de Janeiro está vivendo uma epidemia e nos questionamos como um mosquitinho está conseguindo matar tanta gente. No início lia-se no jornal que os casos de dengue vinham aumentando, mas agora a situação fugiu completamente ao controle. Nem as autoridades se entendem mais.

A culpa é nossa que não viramos garrafas para baixo, não colocamos terra no pratinho das plantas, não fechamos a caixa d’água e deixamos a água empoçar. Tem pessoas que só se mobilizam quando um parente fica doente. Não adianta uma pessoa tomar todos os cuidados se o vizinho não coopera. A dengue depende de uma ação conjunta.

Os hospitais estão lotados e não pensem que são só os públicos. Estive num particular essa semana que o tempo estimado para atendimento era de três horas. Primeiro você é obrigado a passar por uma triagem para identificar a sua gravidade - torça para ser grave, porque senão o seu tempo de espera aumenta. Depois o médico examina e pede o exame de sangue, após algumas horas o resultado chega e você precisa cruzar os dedos para o médico conseguir um minuto para poder avaliá-lo.

O mais triste é que as crianças estão sendo as mais afetadas. Muitas estão morrendo devido à hemorragia ou a um diagnóstico errado, o que atrasa o tratamento. Primeiro virose, depois dengue. Escolas estão desenvolvendo atividades de conscientização e ensinando medidas preventivas e de combate a dengue. A calça comprida virou uniforme diário para proteger as pernas.

A preocupação dos pais e jovens é tanta que os repelentes estão sumindo das prateleiras. Já não se encontra mais o produto com facilidade em farmácias e supermercados. As pessoas estão comprando mais de um vidro para ter algum de reserva em casa. Não são somente os infantis que estão acabando, os destinados aos adultos também. Ninguém quer ficar doente. O maior medo é da dengue hemorrágica. O Hemorio está fazendo uma campanha, inclusive com participação de pessoas famosas, para que a população doe sangue. Os bancos não estão suportando a procura.

Cada um precisa fazer a sua parte, tomar todos os devidos cuidados para não haver proliferação do mosquito. Calcula-se que 90% dos focos do Aedes Aegypti sejam domésticos. Portanto vamos nos unir e não deixar que mais pessoas morram ou fiquem doentes! Os números estão só aumentando.