quarta-feira, 30 de julho de 2008

Solteira Sempre... Sozinha Nunca... Namorando... Quem sabe...

Pessoas...

Estava lendo o blog de um amigo quando me deparei com esse post "Eu quero ficar nu diante dos seus olhos... vai ser bom... ficar só é tão ruim". Fui comentar sobre o que ele havia escrito e quando me vi estava praticamente me confessando.

Escrevi assim: “Engraçado que às vezes tenho esse desejo, de ficar nua para alguém, me despir, mostrar realmente quem eu sou e me entregar. Estou solteira há oito meses, não significa que eu esteja sozinha, mas tudo é muito superficial. Ultimamente até os meus sentimentos estão assim: superficiais. Não consigo me aprofundar, me despir. Gostaria de achar alguém bacana, também sou da filosofia de que ficar sozinho é muito ruim. Mas, sinceramente, decidi que quero ser achada. Alguém sério está difícil. Parece que ninguém quer compartilhar os sonhos”.

Há um tempo venho falando que tranquei meu coração com cadeado e joguei a chave fora. Não fiz cópia para não correr o risco de duas pessoas acharem-na. Tem uma perdida por ai... pelo mundo. Não quero me apaixonar, mas... e se alguém achar a que vai abrir meu coração sem resistência? Falar isso pode parecer uma fuga de quem não quer sofrer. Quem me conhece sabe como sou derretida. Não tenho medo de me envolver. Adoro correr riscos! Só quem conhece a si mesmo pode se dar a esse luxo. E eu posso me permitir a isso: gostar da pessoa que está apaixonada por mim ou de não me deixar levar pela que está ao meu lado. Meus pés nunca saem do chão.

Um amigo meu disse que quer namorar, mas está difícil. Confesso que também quero. Odeio ficar sozinha por muito tempo. Ter alguém para cuidar, dar satisfação, dividir o meu dia-a-dia, assistir a um filme deitado no sofá fazendo cafuné e depois dormir de conchinha são coisas que eu adoro. Carência bate em qualquer pessoa solteira. Chega um momento que ficar “na pista” cansa. De que adianta curtir uma noite, se no final vai para casa dormir sozinho? Dormir com uma pessoa que não se tem envolvimento emocional não é a mesma coisa daquela que amamos. O carinho, a conversa, a preocupação... tudo muda. Até as atitudes são mais suaves.

Tem pessoas que não entendem como consigo controlar o meu coração. Simples, não o controlo. O que eu domino é o meu pensamento. Permito-me pensar ou não naquela pessoa; permito-me envolver até onde tenho o controle. Não me deixo iludir com palavras bonitas. De falsas promessas o mundo está cheio! Quero ações! Se me quer, prove! Faça por onde! Não deixo as oportunidades passarem, abro meu coração, me entrego, mas nada é mão única. Confesso que às vezes bate carência. Fui assistir ao filme Jogos de Amor em Las Vegas e bateu aquela vontade de ter uma pessoa ao meu lado para fazer bagunça. Alguém que eu não precise ficar o tempo todo me preocupando se vou agradar ou não. Basta ser eu mesma e pronto. Com minhas infantilidades, manias e brincadeiras. Acabar de jantar e fazer guerrinha de sorvete, antes de dormir fazer uma de travesseiro e tomar banho jogando água e fazendo bolinha de sabão.

Sei que príncipe encantado não existe. Homem perfeito muito menos. O que existe são duas pessoas dispostas a amar. O relacionamento é um exercício diário de conquistar a mesma pessoa todos os dias. Aceitá-la do jeito que é e saber ceder sem perder a sua essência. Não é o que um quer, é o que os dois querem. O casal precisa estar na mesma freqüência, na mesma sintonia. Aceitar os defeitos e mesmo assim amá-la.

Será que é pedir demais alguém assim?

quinta-feira, 24 de julho de 2008

Morte, Saudade, Coragem

Pessoas...

Já tem um tempo que não posto nada. Andei meio enrolada. Hoje abri o Orkut da minha prima e resolvi ver as fotos para matar a saudade da família que mora longe. Para a minha surpresa tinha a foto de uma menina com uma legenda que me chamou a atenção “É tão estranho, os bons morrem jovens Assim parece ser quando me lembro de você Que acabou indo embora, cedo demais [...]Só que você foi embora cedo demais Eu continuo aqui, meu trabalho e meus amigos E me lembro de você em dias assim dia de chuva, dia de sol E o que sinto eu não sei dizer [...]Vai com os anjos, vai em paz Era assim todo dia de tarde, a descoberta da amizade Até a próxima vez, é tão estranho Os bons morrem antes Me lembro de você e de tanta gente Que se foi cedo demais E cedo demais eu aprendi a ter tudo que sempre quis Só não aprendi a perder E eu, que tive um começo feliz Do resto eu não sei dizer Lembro das tardes que passamos juntos Não é sempre, mas eu sei Que você está bem agora Só que este ano o verão acabou Cedo demais....”

Foi impossível não lembrar das pessoas que eu também perdi... cedo demais. Algumas fazem muita falta, outras aprendi a conviver sem a presença física. A Thaís é a pessoa que mais lamento ter partido. Era mais que uma amiga, uma irmã. Dividíamos tudo! De segunda a sexta era a escola e os segredinhos; os finais de semana era a bagunça e os passeios. No dia que ela partiu lembro-me de chegar à capela, seu pai ter me abraçado e ter me perguntado o porquê da sua filha. Queria saber o motivo também. Ali não era eu, tio Marcus, tia Solange e Ana, éramos uma família. Nunca fui tratada como uma amiga, mas como uma Copelli. Na minha casa, ela não era mais uma amiguinha de escola. Era tão amada que minha irmã quando nasceu, dois anos depois do acidente, recebeu seu nome. Um pedaço do meu coração foi embora com ela.

A morte sempre se fez presente. Imagina como seria o mundo se ninguém falecesse? Mas as pessoas boas deveriam morrer tarde, dormindo em suas camas quentinhas e sem dor. A morte é muito dolorida para quem fica. A saudade, as recordações, os lugares, tudo pesa. O ser humano não sabe lidar com perdas e eu, confesso, também não sei. Ano passado fiquei seis meses cuidando do meu avô. Quantas vezes chorei ao lado de seu leito, vendo-o em coma e sem poder fazer nada. Dizia que o amava, mas a minha situação era de total impotência. Queria levá-lo para casa, tirá-lo dali, fechar cada escara. Eu não sabia que tinha tanta força. Eu conseguia fazê-lo sorrir sabendo que no fundo ele estava chorando... e eu também. Tudo era feito de pequenos momentos. Passear no hospital de cadeira de roda; colocar meu óculos escuros nele e brincar falando que ele iria pra rave comigo; chamá-lo de cachorrão e fingir que eu era a sua onça pintada; dar banho brincando de jogar água um no outro. Tentávamos mascarar uma situação insuportável. Ele sabia que era duro eu ir toda hora ao hospital e eu sabia o quanto ele não desejaria estar ali. Ele era o mais querido, porque lutava para viver. Não perdia a alegria. Quando recebemos a notícia de que ele tinha partido, fomos no CTI pegar a documentação e a equipe média estava enfileirada na entrada, todos chorando. Não tinha uma só pessoa que não estivesse com lágrimas nos olhos. A dor de perder um paciente tão velhinho, carinhoso, com tanta garra e tão carismático deu tristeza.. Não se sentia rebelde, brincava com todos e se esforçava. Quando entrou em coma natural, os médicos falaram que não tinha mais jeito. Ficamos arrasados. Mas três dias depois ele acordou e começou a bater palmas chamando o pessoal. Ninguém conseguiu acreditar naquela cena e a gente também não. Quando eu partir vou puxar a orelha do meu cachorrão, porque descansou e nem me levou para brincar com as cotias na Quinta da Boa Vista. Ele me levava lá quando eu era pequena, mas prometeu voltar lá comigo... essa dívida vai ficar pendente.

Às vezes fico personificando a morte. Ora é super animada, ora extremamente depressiva. Tem hora que a morte é bem-vinda, porque acaba o sofrimento do doente e o desgaste emocional da família, mas tem horas que ela é tão injusta. Leva com ela crianças e jovens. Tem gente que também não se cuida, procura-a. Beber e dirigir, correr de carro, não respeitar a sinalização, drogar até ter uma overdose, transar sem camisinha e acabar pegando uma doença sexualmente transmissível. Imagina o trabalho que ela tem! Deve ser exaustivo levar os enfermos e os que fazem arte por ai. Penso na vida também. Essas duas têm muito trabalho. São únicas, ninguém pode dividir o trabalho com elas. Quantos morrem e nascem por minuto no mundo?

Uma provoca o choro e a outra o riso... se completam de alguma forma...

sexta-feira, 4 de julho de 2008

Um dia desses.....



Pessoas...


O dia amanheceu chuvoso. O tom cinza predomina numa cidade que geralmente é colorida. Estava acostumada a ir trabalhar e observar o marrom do morro, o verde da grama, as diferentes cores de prédios e casas, as roupas alegres. O clima esfria e as pessoas parecem tirar dos armários as cores mais sóbrias. Um desfile de moda no qual o preto reina absoluto. Tudo fica tão escuro...

Os cariocas desconhecem o frio. Cidade litorânea, cheia de surfistas em suas praias, corpos esculturais nas areias, ciclovia lotada de manhã, gente caminhando pela tarde, tomando um drink nos quiosques à noite, boates cheias de segunda a segunda. O Rio de Janeiro nunca pára! E na chuva? E no frio? Bares vazios, restaurantes com movimento diminuído. O que vale mesmo é ficar em casa assistindo a um DVD embaixo de um bom cobertor (de preferência acompanhado) e depois dormir de conchinha.

Eu amo o inverno europeu. Em determinadas cidades não nevam e sol dá o ar de sua graça pela manhã. O frio é intenso. Impossível sair sem sobretudo, cachecol, luva. Mas há um desfile de cores pelas ruas. Os raios solares ainda possuem a obrigação de ressaltar cada vermelho, rosa, amarelo, azul. O sóbrio não existe. Mesmo no branco da neve as cores ganham vida, se destacam.

A sensação que eu tenho é de que as horas se arrastam ao longo do dia. Que por mais que você faça mil coisas os minutos ficam estacionados. Eu me perco nessa monotonia. As cores monocromáticas, as pessoas quietas, tudo parece tão estático e eu querendo sempre algo mais. Ver algum amigo, me perder nas conversas, agitar os ponteiros das horas. Não sei se preciso acalmar o meu ritmo. A ânsia de querer aproveitar cada segundo, recuperar o tempo perdido não me permitem ficar quieta. Ficar estacionada pensando em quê? Esperar a depressão bater? Sentir-me sozinha e inútil? Quero mais é conhecer pessoas, me sentir querida!!!

Confesso que esse friozinho bate uma carência enorme, mas não vou ter recaídas. Estou super feliz sozinha, curtindo a vida e a liberdade de ir para onde o vento me levar. Não ter que ficar dando satisfação, justificativa pra ninguém. A minha palavra ultimamente tem sido “vamos”. Não importa se é pagode, baile funk, barzinho, boate, o que está importando são as companhias. Qualquer lugar está valendo à pena se eu estiver com as pessoas certas. E, sinceramente, eu amo todos que estão a minha volta.

O que eu mais amei nesses últimos meses foi ter reencontrado um ex-namorado meu. Não o via desde 2002 quando terminamos. Continua a mesma figura e, por incrível que pareça, a sensação que eu tenho é de que nunca nos afastamos. O amor é algo engraçado. Eu o amo da forma mais pura que existe, é um amigo que eu quero ter para sempre. O mais legal é que todos os amigos e primos dele que andavam com a gente na época que namorávamos estão saindo com a gente. Juntamos os amigos dele com as minhas amigas e formamos um grupo super animado. Não tem tristeza. Nem lugar longe. Pegamos estrada às 22h de uma sexta-feira só para curtir uma noite em Petrópolis.

Conheci duas meninas também que se tornaram companhias indispensáveis. Sabe essas pessoas que a empatia acontece na hora? Então... foi assim... nos olhamos e ponto! No dia seguinte já estávamos trocando confidencias. As amizades podem nascer nos lugares mais improváveis, nas situações mais hilárias. Sei que as quero por perto sempre. Você sabe quando a amizade vai ser passageira e quando vai ser pra sempre. Rimos, choramos, trocamos confidencias, informações... amizade é isso. Ainda temos muito o que descobrir uma da outra, mas a confiança foi conquistada, as identificações também. Agora é deixar o amor prevalecer sobre os defeitos.


Pode estar caindo um temporal lá fora, mas aqui dentro, no meu coração, o sol está brilhando.