sexta-feira, 13 de junho de 2008

Infância

Pessoas...

Estava refletindo sobre a infância que tive e a que as crianças têm atualmente. Lembro-me de brincar até tarde na rua. Era Futebol, Vôlei, Taco, Bolinha de Gude, Queimado, Pique-Bandeira. Descia a ladeira de patins. Não tinha medo de me machucar. Aliás, perdi a contas de quantas vezes imobilizei algum membro devido a fraturas, torções, fissuras. A bagunça era maior que qualquer chororô. Se o tempo estava chuvoso, a galera se reunia lá em casa para um filme, jogar no computador, montar um quebra-cabeça, jogar conversa fora e até roubar na salada mista. Se estivesse sol, nada melhor do que um banho de piscina depois de andar de bicicleta. Os lanches estavam garantidos, assim como as partidas de ping-pong e totó no quintal.

Eu tinha vídeo-game, mas nunca liguei. Não tinha graça ficar sentado em frente a uma televisão tentando zerar o Sonic, Alex Kid ou Super Mário Brós. A vida tinha mais aventura. Dia de São Cosme e Damião era o melhor. Apesar, de eu não comer doce, correr atrás deles era o mais divertido. Aquelas crianças todas correndo pelas ruas, contando quem tinha conseguido mais saquinhos, separando os doces que mais gostava. Dia das Crianças e Natal, nem se fala. No dia seguinte, cedinho, lá estávamos todos nós, amigos, reunidos para mostrar o que ganhamos, trocar os brinquedos e inventar mil brincadeiras. Mesmo que tivesse que conciliar a Barbie com uma super nave dos Comandos em Ação. Cabia a imaginação criar esse elo. E imaginação não faltava....

Vejo as crianças crescerem trancadas em seus quartos, brincando com seus vídeos-game e notebooks. Brincadeiras? Só no intervalo na escola! A rua está extremamente perigosa. Meninas e meninos de seis anos já têm até celular. A mãe fica preocupada, liga, porque quer ter certeza que o filho chegou são e salvo à escola. Quando eu era criança, nem celular existia! A rua passava carro, mas, por alguma razão, as mães de antigamente sabiam que seus filhos sabiam se cuidar. De noite chegávamos a casa suados, com os pés pretos de tanto correr e tomávamos aquele banho. A blusa mudava de cor! E os aniversários? Se não tivesse a ovada com farinha não podia dizer que a pessoa fez anos. As comemorações começavam cedo. O ovo ficava enterrado uma semana para ter certeza de que estava podre, tinha que feder muito e ter de usar muito shampoo para tirar o cheiro depois.

Conversar na rua era bem mais interessante do que ao telefone. Nem precisava marcar, todo mundo sabia aonde iria se encontrar. As festas então... qualquer motivo, por mais banal que fosse, valia uma comemoração. Aniversário, festa junina, festa americana, festa na piscina... as mães sabiam que nas festinhas o máximo que iria acontecer era uma azaração. Nada além disso. Até poderia rolar uma salada mista, mas era tudo combinado. Escolhíamos quem queríamos beijar! Lembro-me que inventávamos até frutas para a brincadeira ficar mais divertida.

E na escola? No final da aula íamos todos na barraquinha comprar chicletes, balas, adesivos. Pirocóptero, Mini Chiclete Adams, Big Big, cada doce com nome engraçado! O intervalo voava diante da quantidade de fofocas. Na maioria das vezes era para falar de meninos, mas também falar mal das meninas que a gente não gostava. E as reuniões para trabalho em grupo? O trabalho poderia precisa de um encontro só, mas o nosso precisava de pelo menos uns três sempre. Os namoros na porta eram os melhores! Ninguém tinha preocupação, ninguém estava preocupado se iria durar muito, não tinha cobrança. Ciúme existia, mas da “galinha” da escola. Tem sempre uma menina foguenta para nos dar dor-de-cabeça! O cinema era tão gostoso nessa fase, estudar junto pra prova então... nem se fala! Passar cola pelo pé e deixar o professor com cara de bobo não tinha preço!

Se conselho fosse bom ninguém daria, venderia, mas... crianças.... aproveitem ao máximo essas fases da vida chamadas de infância e adolescência!

2 comentários:

JG Pereira disse...

Um dos textos que mais me trouxe lembranças, fantástico, nós sim tivemos infância. Corrida de chapinha, pirocóptero, bola de gude, futebol na rua com gol marcado com chinelos, polícia e ladrão, verdade ou consequencia, imagem e ação, escutar música com os amigos, festinhas americanas, com refrigerante e muito biscoito....a época boa, hoje em dia, a coisa tá dificil mesmo, amo videogame, amo jogos em geral, mas a melhro coisa é reunir os amigos....e sempre será.

Quadra disse...

olá, renata! fui comentar no blog da mari e vi um comentário seu por lá. não sabia q tb tinha. li esse texto e gostei. relebrei coisas da minha infancia. fiquei até emocionado. haha!
bom, é isso. só passei pra dizer q achei bem legal esse seu espaço virtual.
um beijo,
diogo